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Em: 05-FEV-1999 Força africana desembarca em Bissau ![]() Os militares da ECOMOG desembarcaram ontem no porto de Bissau, após uma espera de quatro dias (telefoto EPA/Lusa/CM) Três centenas de militares da ECOMOG (braço militar da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental, CEDEAO) desembarcaram ontem em Bissau, uma cidade que conheceu finalmente um dia calmo, depois do inferno vivido durante toda a semana. O desembarque da força multinacional africana, cuja missão será a de vigiar a paz, só foi possível graças ao acordo de cessar-fogo alcançado na última quarta-feira entre o presidente "Nino Veira" e o comandante da Junta Militar, brigadeiro Ansumane Mané, depois de a guerra ter regressado no último domingo à capital guineense. Os militares da ECOMOG, 145 homens do Níger e 146 do Benin, encontravam-se desde o início desta semana a bordo da corveta francesa "Siroco", que os transportou desde Dacar. Os militares desembarcaram no porto da Bolola, junto à zona portuária de Bissau, que tem sido utilizada pelas forças leais ao presidente "Nino" Vieira para as operações militares. Juntamente com os 300 homens da ECOMOG, foi desembarcado material logístico, nomeadamente viaturas e meios-rádio, cedidos pelo Governo francês. Os militares serão colocados em posições da linha da frente, segundo um plano definido num encontro entre os comandos militares das partes beligerantes e coordenado pelo comandnate da força da ECOMOG em Bissau, o coronel togolês Berena. "O desembarque decorreu sem incidentes e nenhum tiro se ouviu durante toda a operação" - afirmou o embaixador francês na capital guineense, François Chappelet, que presenciou o desembarque, juntamente com os representantes de "Nino" Vieira, brigadeiro Humberto Gomes, e da Junta Militar, major Fodé Cassamá. No acordo de paz assinado em Novembro último em Abuja, na Nigéria, as duas partes em conflito tinham concordado no envio de uma força da ECOMOG para a Guiné-Bissau, com a missão de se interporem entre as forças beligerantes, assegurando a manutenção da paz. Uma primeira unidade avançada encontra-se já em Bissau e para a última segunda-feira estava previsto o desembarque dos restantes militares da ECOMOG. Mas o súbito e incompreensível regresso dos combates à capital, no último domingo, acabou por impedir o desembarque dos militares, que se mantiveram a bordo do "Siroco", fundeado ao largo de Bissau. Perante a nova escalada da guerra, que causou mais de 80 mortos, centenas de feridos e obrigou a um novo e penoso êxodo das populações, a CEDEAO, através do Togo, que detém a presidência, levou a cabo novas iniciativas de paz, delineadas pelo presidente togolês, Gnassingbe Eyadema. O novo cessar-fogo foi conciliado após conversações dos enviados de Eyadema com "Nino" Vieira e Ansumane Mané, mas a sua aplicação imediata no terreno foi bastante difícil, devido à dificuldade de comunicações com os comandantes militares nas frentes de batalha. Horas após a entrada em vigor das tréguas (15H00 de quarta-feira), ouviam-se em Bissau disparos de armas ligeiras e pesadas, fazendo temer o pior. Mas ao longo da noite e madrugada de quinta-feira, as armas foram-se silenciando e ontem, ao fim de quatro dias de intensos combates, Bissau conheceu finalmente um dia calmo. Mesmo assim, ao fim da tarde, um curto mas intenso tiroteio ecoou no centro da capital, mas as armas calaram-se pouco tempo depois. Nos termos do novo acordo de tréguas, assinado pelo presidente guineense e pelo brigadeiro Ansumane Mané, e subscrito pelo representante togolês, Joseph Koffigoh (ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros do Togo), em representação do presidente Eyadema, as duas partes comprometeram-se a autorizar a entrada imediata dos efectivos da ECOMOG bem como a tomar medidas apropriadas para facilitar a sua acção. Recorde-se ainda que o Acordo de Paz de Abuja previa, além da chegada da força de interposição multinacional, a retirada gradual das forças do Senegal e da Guiné-Conacri (que lutaram ao lado do presidente "Nino" Vieira) até ao próximo dia 10, com uma margem de mais dois dias para cobrir eventuais dificuldades logísticas. O acordo de Abuja apontava ainda o dia 14 como a data mais provável para a tomada de posse do Governo de Unidade Nacional, encarregue de gerir o país até à realização de eleições gerais antecipadas, que deveriam ter lugar até final do mês que vem. © 1998 Correio da Manhã. Todos os direitos reservados.
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