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Em: 05-FEV-1999 Forças da Ecomog desembarcam Combates agravaram situação social e económica. Missões do Banco Mundial e FMI partiram, quadros civis não regressam José Manuel Barroso![]() Arquivo DN-Eduardo Tomé REGRESSO. Combates de Julho de 1998 repetiram-se agora e a angústia voltou a dominar as populações Trezentos militares do Níger e do Benim, que se encontravam a bordo do navio de transportes de tropas francês Siroco, à espera do fim das hostilidades, iniciaram ontem o desembarque em Bissau. A força de interposição oeste-africana da Ecomog, que conta ainda com mais uma centena de militares do Togo, já estacionados na capital da Guiné, pode ser determinante para o efectivo regresso da calma, depois da assinatura do acordo de cessar-fogo, na quarta-feira passada, entre o Presidente Nino e o brigadeiro Mané. Os combates iniciados na madrugada de domingo agudizaram, de forma dramática, a situação social e o clima psicológico da população. A ajuda alimentar não chega ao seu destino, a fome instala-se, não há medicamentos para tratar os feridos. As missões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, que se encontravam em Dacar prontas para seguir para Bissau e negociar um pacote de ajuda, abandonaram o Senegal, com o retomar dos combates. As missões da ONU e do PNUD que, em Bissau, faziam o levantamento das necessidades do país, para ajuda internacional, refugiaram-se em Bafatá, segunda cidade da Guiné, sendo alguns dos seus membros evacuados pelos helicópteros do navio francês Siroco. É preciso recomeçar tudo de novo, num clima de grande desconfiança, em que ninguém acredita em nada, enquanto a paz se não restabelecer, de modo verdadeiramente firme. E, entre os que não acreditam, estão os quadros que podem pôr a funcionar a economia do quotidiano do país, quadros que estão ainda no estrangeiro, nomeadamente em Portugal e no Senegal, e que terão agora mais dúvidas em regressar a curto prazo. Sem esse regresso, os bancos e a administração pública não poderão funcionar. A tarefa do novo Governo de transição, presidido por Francisco Fadul e que ainda nem tomou posse, apresenta-se agora mais difícil. As eleições para a Presidência da República e para a Assembleia Nacional, previstas para o próximo mês, não vão poder realizar-se antes do fim do ano, porque não há dinheiro para elas, e, mais grave ainda, sumiram-se as disquetes de computador com os dados dos cadernos eleitorais. Com o horizonte eleitoral alargado para o ano 2000, a coexistência do Presidente Nino Vieira com o Governo de Fadul - em que as importantes pastas militares e de segurança estarão nas mãos de ministros indicados pela Junta Militar - será um elemento de tensão permanente. O que torna o processo de paz mais complicado, com milhares de pessoas armadas a dificultar a reorganização do exército regular. Por outro lado, o novo Governo é uma coligação de representantes da Junta Militar e do PAIGC de Nino Vieira, sem representação política do país civil, nomeadamente dos maiores partidos da oposição - e da maior etnia da Guiné, os fulas. Do ponto de vista interno, o que houve de novo no reactivar do conflito armado foi o facto de se terem registado muitas baixas do lado dos combatentes da Junta Militar, segundo testemunhos de civis presentes na região em torno de Bissau. A artilharia da forças do Senegal e da Guiné-Conacri, habitualmente pouco certeira, virou eficaz - o que levou algumas fontes locais, a começar pelo primeiro-ministro designado, Francisco Fadul, a acusar a França de ter conselheiros militares na capital da Guiné, algo que Paris desmentiu com veemência. A participação de militares franceses no apoio activo a um dos lados não foi ainda provada, havendo fontes militares que pensam ter sido utilizado fogo de artilharia naval, muito mais preciso de que o da artilharia terrestre, a partir de navios de Dacar e de Conacri, presentes ao largo de Bissau. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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