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Correio da Manhã

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Em: 11-FEV-1999

Acordo para retirada de tropas na Guiné


A retirada das forças estrangeiras estacionadas na Guiné deverá estar concluída até ao fim do mês (telefoto EPA/Lusa/CM)

Num sinal de que poderá estar para breve a resolução do conflito que tem flagelado a Guiné-Bissau, uma comissão militar conjunta, integrando representantes das forças governamentais, da Junta Militar, e da força de interposição da ECOMOG - o braço armado da CEDEAO (Comunidade Económica de Estados da África Ocidental) -, chegou finalmente a um acordo sobre o calendário da retirada das tropas estrangeiras enviadas em socorro do presidente João Bernardo "Nino" Vieira.

De acordo com uma fonte próxima da comissão, o documento prevê que cerca de 1.200 dos três mil soldados estrangeiros estacionados na Guiné deixem o país até ao próximo dia 14, devendo os restantes 1.800 abandonar a ex-colónia portuguesa duas semanas depois.

Com a retirada dos soldados da Guiné-Conacri e do Senegal que têm apoiado o presidente poderá dar-se finalmente início ao processo que prevê o aquartelamento de todas as forças, a recolha das armas e a criação de um efectivo mínimo militar, composto por soldados governamentais e por combatentes da Junta Militar.

A principal tarefa deste efectivo mínimo, apoiado pela força da ECOMOG que está a ser estacionada no país, será o patrulhamento da capital guineense, Bissau, e de outras zonas "quentes". A ECOMOG tem tido algumas dificuldades em estacionar na Guiné todos os cerca de 1.450 homens previstos para participar nesta missão, encontrando-se actualmente apenas cerca de 400 militares em território guineense.

Zamora Induta, porta-voz da Junta Militar, informou que foi já conseguido um acordo quanto ao seu estacionamento, prevendo-se que venham a ser colocados em sete pontos sensíveis na antiga linha da frente dos combates, com especial incidência para a zona de Antula e do Bairro Militar, onde os soldados da ECOMOG irão servir de "tampão" entre as forças beligerantes, obrigadas a recuar 500 metros. Além destas zonas, os soldados serão igualmente estacionados no "poilão" de Brá, no Enterramento e na zona de Bor.

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