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Em: 12-FEV-1999

Guiné alega instabilidade para congelar cooperação

Parlamento Europeu exigiu retirada das tropas estrangeiras antes da posse do novo Governo


Arquivo DN-Eduardo Tomé
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A Presidência da República guineense explicou ontem que a decisão de suspender a cooperação técnico-militar portuguesa na Guiné-Bissau se deveu "à instabilidade que se vive neste país".

Não houve qualquer expulsão, precisou o conselheiro do Presidente guineense, Cipriano Cassamá. Mas, tendo em atenção "a instabilidade que se vive no país, e para evitar riscos que não podemos controlar, foi solicitada a retirada temporária daqueles elementos". Esta suspensão, acrescentou, irá vigorar "até à normalização da vida socioeconómica e política na Guiné-Bissau".

Cassamá acrescentou ainda que a decisão das autoridades guineenses "não tem nada que ver" com a presença de uma força militar portuguesa nas proximidades da Guiné-Bissau para exercícios militares, para os quais fez questão de notar que "não há nenhuma autorização" de Bissau.

Na sua opinião, qualquer que seja o Governo guineense, este "não poderá pôr em causa as relações com Portugal", mas a melhor maneira de "defendermos e reservarmos a cooperação com Portugal é evitar que haja ambiguidades".

O Presidente guineense, João Bernardo Vieira, e o primeiro-ministro Francisco Fadul estiveram ontem reunidos para discutir a próxima tomada de posse do Governo de unidade nacional. Segundo porta-vozes das duas partes, o encontro decorreu "de forma muito cordial".

Ciprianno Cassamá declarou no final do encontro que "estão totalmente criadas as condições para a tomada de posse do Governo de unidade nacional e consolidação da paz no país".

Nino terá feito depender a tomada de posse do Governo de transição da assinatura do acordo sobre o estacionamento de tropas da Ecomog e a retirada de tropas estrangeiras que têm estado a apoiar o Presidente. O acordo está ainda na fase de projecto, faltando ser assinado por Nino, pela Junta Militar e pela CEDEAO.

O porta-voz de Fadul, Cherno Baldé, sublinhou a necessidade de o projecto passar a acordo de facto e Cassamá disse por seu lado que, ainda ontem, a Presidência da República iria entrar em contacto com o brigadeiro Ansumane Mané para marcar a data da sua assinatura.

O Parlamento Europeu exigiu ontem a retirada das tropas estrangeiras da Guiné-Bissau, à excepção das da Ecomog, considerando-a condição prévia para a aplicação do acordo de paz e a tomada de posse do novo Governo.

O projecto de resolução foi apresentado em comum por seis grupos políticos. Dos grupos que integram deputados portugueses, apenas a União para a Europa não subscreveu a resolução, embora Celeste Cardona (PP), se tenha associado a ela, informa a correspondente do DN em Estrasburgo, Fernanda Gabriel.

O Parlamento Europeu condenou ainda a "irresponsabilidade política, cegueira histórica e completa insensibilidade humana" dos dirigentes políticos e militares guineenses

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