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Correio da Manhã

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Em: 20-FEV-1999

Novo Governo leva esperança à Guiné


O novo Governo da Guiné-Bissau, liderado por Francisco Fadul, será hoje empossado (telefoto EPA/ Lusa/CM)

Hoje é o dia de todas as expectativas num futuro em paz para a Guiné-Bissau, com a tomada de posse do novo Governo de Unidade Nacional, liderado por Francisco Fadul. A esperança, desvanecida há apenas duas semanas com o reacender dos combates em Bissau, volta, de facto, a animar a martirizada população guineense.

Mas a confiança e a normalidade ainda não foram totalmente restabelecidas, apesar das promessas de paz dos beligerantes. Para a incerteza latente muito tem contribuído a manutenção no país das tropas senegalesas. De facto, o Senegal, principal sustentáculo do poder do presidente "Nino" Vieira, não tem cumprido o calendário estabelecido para a retirada das suas forças militares, que deveriam ter saído da Guiné-Bissau até ao passado dia 14.

A partida dos militares de Dacar está, de facto, bastante atrasada. Na última quinta-feira, saíram mais 400 homens mas ainda se encontram no país cerca de dois mil militares. Apesar de acalentar esperanças, a população mostra-se desconfiada. Além do cepticismo motivado pela presença dos senegaleses, a população local manifesta também reservas quanto ao comportamento futuro dos dirigentes das duas forças em conflito.

Os rancores entre os apoiantes de "Nino" Vieira e da Junta Militar de Ansumane Mané são ainda bastante visíveis, reflectidos diariamente através de programas de Rádio sobre a situação político-militar no país. É neste contexto de desconfiança mútua que se verificará hoje a tomada de posse novo Executivo de Francisco Fadul, indicado pela Junta Militar e aceite para primeiro-ministro por "Nino" Vieira.

Na posse do novo Executivo, deverá estar em Bissau o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Jaime Gama, acompanhado pelo chefe da diplomacia da Praia e coordenador do Grupo de Contacto da CPLP, José Luís de Jesus. Recorde-se que a Junta Militar acabou por acordar na posse do novo Governo antes da retirada do último soldado estrangeiro no país argumentando que após a última reconciliação "existe agora suficiente confiança entre as partes".

A formação de um Governo de Unidade Nacional constituiu uma das cláusulas do Acordo de Paz de Abuja, assinado em Novembro do ano passado, o qual exigiu ainda a retirada das tropas militares estrangeiras e a sua substituição por uma força de interposição de paz da ECOMOG (o braço armado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental).

O reacender das hostilidades no início deste mês, que deixaram centenas de mortos nas ruas de Bissau, fez temer o pior e obrigou ao reforço da mediação internacional, nomeadamente da União Europeia, que através da sua responsável máxima para as questões humanitárias, Emma Bonino, levou o presidente guineense e o líder da Junta Militar a apertarem as mãos em Bissau e a prometerem a paz definitiva.

Apostada na reconciliação nacional na Guiné-Bissau e defendendo uma nova abordagem da política europeia humanitária na África Ocidental, Bonino defende mesmo o financiamento pela União Europeia da ECOMOG.

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