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![]() Em: 27-2-99 A governação possível UMA semana após a investidura do Governo de transição, os milhares de guineenses que fugiram à guerra em Bissau ainda não regressaram à cidade. A maioria permanece refugiada no estrangeiro e nas regiões do interior do país. Alguns vêm à capital só para verificar se as casas e os bens não foram pilhados e depois voltam para os seus lugares de exílio, à espera da normalização definitiva da situação. O regresso à normalidade tem sido demasiado lento e cheio de imponderáveis. O principal factor susceptível de restabelecer a confiança é a retirada total do contingente senegalês do território, que está prevista para amanhã, mas sobre a qual surgem dúvidas, tanto mais que não se sabe com rigor quantos senegaleses se encontram na Guiné-Bissau. Depois da partida de 270 homens, na quinta-feira da semana passada, mais 300 saíram anteontem. Restam agora na Guiné cerca de metade dos 1200 militares senegaleses que deviam ter partido até ao passado dia 14, segundo o calendário inicial. A coabitação das tropas estrangeiras com o novo Governo já provocou um incidente, que revela a limitada margem de manobra do Executivo do primeiro-ministro Francisco Fadul. Os titulares da Economia e Finanças e da Administração Interna, Bubacar Dahada e Caetano N'Tchama, que efectuavam na segunda-feira uma visita a vários ministérios para verificar o estado do património público, bastante degradado durante o conflito, foram impedidos de entrar nas instalações da Secretaria de Estado da Comunicação Social e Assuntos Parlamentares e no Ministério da Cultura e Desportos, locais onde estão estacionadas tropas senegalesas. O caso originou uma forte polémica e aumentou os receios de novamente se dar o reacendimento dos confrontos. No entanto, nada de grave se passou desde então. Pelo contrário, a transmissão de funções do Governo cessante para o novo Gabinete tem vindo a decorrer sem sobressaltos. Outro sinal de normalização é o recomeço das reuniões da Comissão Conjunta das chefias militares das partes beligerantes com os comandos do contingente do Senegal, Guiné-Conacri e da ECOMOG. No mais recente encontro da Comissão, na quarta-feira, registou-se um «desencontro» entre os representantes das forças leais ao chefe de Estado e os seus aliados estrangeiros. O comandante senegalês, coronel Yoro Koné, desmentiu que a retirada das suas tropas tenha sido retardada por «problemas logísticos», como vem alegando a facção presidencial. Yoro Koné disse que «a questão é política», acrescentando que os senegaleses estavam «em condições de se retirarem num só dia caso o Presidente da Guiné-Bissau assim o entendesse». NANDO COIATÉ, correspondente em Bissau Copyright 1998 Sojornal. Todos os direitos reservados.
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