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Em: 09-MAR-1999

Senegal retira mais soldados

"Se não fosse a intervenção senegalesa, hoje estaria instalada na Guiné-Bissau uma guerra civil", declarou, em Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros senegalês, Jacques Baudin


Arquivo EPA-Lusa-Manuel de Almeida
MEDIAÇÃO. Jacques Baudin (esquerda) com o brigadeiro Ansumane Mané, em Bissau

O Senegal "não tem qualquer intenção de ser um exército de ocupação" e, até ao próximo dia 13, deverá retirar mais mil soldados da Guiné-Bissau, declarou ontem em Lisboa o ministro dos Negócios Estrangeiros senegalês, Jacques Baudin.

O ministro classificou a intervenção do Senegal na Guiné-Bissau como uma "necessidade" para pôr termo aos combates que então se travaram entre as tropas revoltosas e as forças leais ao Presidente João Bernardo Vieira e justificou-a com o acordo assinado entre os dois países.

"Se não fosse a intervenção senegalesa, hoje estaria instalada na Guiné-Bissau uma guerra civil", declarou Jacques Baudin, que hoje deixa Lisboa.

Reforçando a ideia de que o Senegal pretende retirar todos os seus soldados da Guiné-Bissau, o ministro senegalês recordou que ainda muito recentemente Nino Vieira teria manifestado o desejo de que os soldados senegaleses apenas partissem depois de a força de interposição da Ecomog chegar aos cinco mil homens e que Dacar respondeu negativamente a essa pretensão.

Quanto às forças da Ecomog - que deverão atingir o número de 1450 homens - "também não são um exército de ocupação", pelo que a sua retirada deverá verificar-se uma vez concluído o processo eleitoral e o processo de desarmamento "dos amotinados", previstos ambos no acordo de Abuja, acrescentou o mininistro senegalês, interrogado sobre a data da retirada da Ecomog.

Relativamente à questão do tráfico de armas para os separatistas da Casamansa, Jacques Baudin referiu que "não interessa agora quem vendeu ou não vendeu" as armas, o que interessa "é que isso acabe". E, acrescentou, o Senegal "tomou as suas medidas para acabar com esse comércio ilícito".

Jaime Gama, na conferência conjunta que se seguiu ao encontro entre ambos, reiterou que "do ponto de vista do direito internacional, o Senegal tem direito a fronteiras seguras" e a "Guiné-Bissau não deve ser um foco de desestabilização".

A questão da Guiné-Bissau foi um dos temas abordados pelos dois ministros, tendo Gama reconhecido que a situação parece "encaminhar-se no bom sentido" e que "a normalidade será mais completa quando houver eleições". "Todos os esforços que possam ser feitos para evitar que a situação na Guiné-Bissau se torne igual à de outros países vizinhos são bem-vindos e tem sido esse o sentido do diálogo com o Senegal", acrescentou o ministro português.

As relações bilaterais foram igualmente abordadas, tendo os dois ministros salientado o bom momento da cooperação entre os dois países e manifestado a intenção de que ela se desenvolva ainda mais. Gama anunciou, nomeadamente, que deverá deslocar-se a Dacar em Novembro deste ano, para a primeira comissão mista luso-senegalesa.

A cooperação pode desenvolver-se, nomeadamente, no campo cultural, através do ensino do português no Senegal, podendo vir a ser criado um curso de língua portuguesa numa universidade senegalesa, referiu ainda Jaime Gama.

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