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Em: 20-ABR-1999 Guiné quer tropas portuguesas em Bissau ![]() O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Francisco Fadul, com o presidente da Assembleia da República, Almeida Santos (foto Manuel de Almeida/Lusa/CM) O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Francisco Fadul, pediu ontem a disponibilidade portuguesa para enviar forças militares para aquele país africano, tendo referido que o seu governo poderá preparar "um convite nesse sentido". De visita à Assembleia da República, Francisco Fadul ilustrou a sua pretensão, lembrando que "o maior factor de dissuasão contra a política imperialista no recente conflito (na Guiné-Bissau) foi a presença de duas fragatas portuguesas bem armadas". "Ninguém nunca mais vai tentar humilhar a Guiné-Bissau, atentando contra a nossa soberania", garantiu, sublinhando que "é bom que o mundo saiba que nós temos amigos". O chefe do governo guineense foi mais longe, acentuando que espera transformar o actual acordo de cooperação com Portugal "num acordo de defesa militar". "Ninguém poderá ficar surpreendido se hoje ou amanhã houver tropas portuguesas no nosso território, desde que devidamente convidadas para tal", explicou Fadul. Em declarações aos jornalistas à saída do Parlamento, o primeiro-ministro guineense quis englobar a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na "sensibilização" que está a fazer junto do governo português. "Queremos que a CPLP abrace esta ideia (de cooperação militar e defesa)", disse. Referindo-se à situação política interna da Guiné-Bissau, o governante frisou que "a ilegalidade já ultrapassou todos os limites", numa declaração que foi entendida como uma alusão ao prolongamento do mandato de 'Nino' Vieira na Presidência da República, durante a vigência do actual governo de transição, que prepara eleições ainda para o corrente ano. "A democracia na boca de algumas pessoas já não faz fé", acusou Francisco Fadul. O mesmo responsável não esqueceu "a necessidade de sensibilizar a sociedade portuguesa para a situação de emergência da Guiné-Bissau", numa alusão à necessidade de fundos de reconstrução, que o próprio governo local tenta neste momento mobilizar em Genebra, na Suiça. Apesar de tudo, Fadul mostrou-se optimista, afirmando que "quem quiser voltar (à Guiné) pode voltar à vontade", no que foi entendido como um convite aos recentes refugiados de guerra que vieram para Portugal. "A polícia política está extinta", garantiu aos jornalistas. Anteriormente, o primeiro-ministro da Guiné-Bissau tinha apresentado cumprimentos e assinado o livro de honra da Assem-bleia da República, tendo recebido de Almeida San-tos uma publicação sobre os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, ilustrado por artistas portugueses. © 1998 Correio da Manhã. Todos os direitos reservados.
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