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Em: 08-MAI-1999 Prioridade de Fadul é "reconciliação nacional" Álvaro Morna - Correspondente em Paris Interrogado pelo DN sobre os últimos desenvolvimentos da crise em Bissau, o primeiro-ministro Francisco Fadul respondeu: "O Governo de unidade nacional vai prosseguir a sua função de normalização da vida política institucional, de reconciliação nacional, de unidade da nação, de consolidação da democracia e de respeito pela legalidade. Esta é nossa grande prioridade. Sem isso, a sociedade guineense não se poderá reencontrar e sem isso não teremos as condições políticas, sociais e morais para avançarmos na senda da democracia. Para atingirmos esses objectivos, precisamos, mais do que nunca, de contar com a confiança da comunidade internacional, que só nos será assegurada quando fizermos a demonstração que nos encaminhamos para a estabilização e para o equilíbrio". Quanto ao destino de Nino, Fadul respondeu: "Folgo poder dizer que a Junta Militar assegurou a completa integridade da vida do Presidente João Bernardo Vieira, assim como à sua família e aos seus colaboradores mais próximos. Este foi mais um sinal claro da Junta Militar em direcção da comunidade internacional e da sociedade civil guineense."
![]() João de Barros Nino Vieira não sobreviveu O dia 7 de Maio de 1999 é uma nova data histórica do povo guineense e representa o fim de um ciclo político na Guiné-Bissau. Os acontecimentos que eclodiram ontem em Bissau já eram esperados há alguns dias, mas tudo se precipitou com a exigência da Junta Militar de redução de 600 para 30 homens da guarda pessoal de Nino Vieira e quando este respondeu reforçando-a e equipando-a. A Junta Militar, em resposta a esta atitude, arrombou os contentores que se encontravam na zona sob o seu controlo. De imediato as tropas fiéis a "Nino" Vieira ocuparam as suas posições de combate na linha da frente. Em menos de 24 horas a Junta Militar assumiu o controlo da cidade de Bissau, consequentemente de todo o território guineense. Os acontecimentos de 7 de Maio alteraram por completo o edifício jurídico constitucional existente desde a assinatura do acordo de Abuja, no entanto não se vislumbra qualquer pressuposto constitucional que leve ao poder o substituto natural do Presidente da República no caso concreto. Senão vejamos: a Constituição da República ficou ferida de morte com os acontecimentos da madrugada de sexta-feira (à semelhança do que aconteceu há 25 anos em Portugal) e já não se aplica, por existir no momento um único poder, o da Junta Militar. Para todos os efeitos, a rebelião militar do 7 de Junho de 1998 consumou-se num golpe puramente militar a 7 de Maio. O acordo de Abuja (recorda-se que é de natureza política e que serviu para o calar das armas) deixa de existir por inexistência de um dos signatários. Provavelmente o mesmo acontecerá com as forças da Ecomog estacionadas no país, cuja função era de interposição entre a Junta e as forças leias ao Nino Viera que se renderam. Pode-se afirmar, sem sombra de dúvida, que Nino Vieira é o único responsável pela forma como tudo terminou. A sua teimosia titânica em desafiar os ventos da História e o próprio povo guineense levou-o ao vexame que se consumou num exílio político num país que ele hostilizara há bem pouco tempo. A Junta Militar, em colaboração com a comunidade internacional, criara todas as condições para uma saída airosa de Nino Vieira da Presidência, mas este nunca a soube aproveitar de uma forma inteligente. Que futuro imediato? Com o derrube de "Nino" Vieira pela força das armas, o Comando Supremo da Junta Militar assumiu o poder e cabe-lhe competência de reconduzir ou não o Governo de Fadul. Tudo aponta que assim será e provavelmente haverá uma remodelação governamental pontual. Tudo leva a crer que agora estão criadas as condições para uma fase de verdadeira reconstrução nacional, tendo em conta que a presença de "Nino" na Presidência funcionava como uma força desestabilizadora no caminho para a verdadeira democratização do país. Uma outra questão, não menos importante, é o posicionamento dos doadores da última mesa-redonda que brindaram a Guiné-Bissau com uma verba significativamente superior à solicitada pelo Governo de Francisco Fadul. João de Barros é director do "Diário de Bissau" Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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