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Em: 09-MAI-1999 Asilo de Nino em negociação António Guterres diz que "ainda não há nenhum pedido formal". ![]() Arquivo DN-Eduardo Tomé EXPECTATIVA. Ninguém sabe o que é que o brigadeiro Ansumane Mané vai fazer para que a paz regresse mesmo à Guiné-Bissau. A incógnita quanto ao futuro permanece António Guterres afirmou ontem que o ainda Presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, não fez, "formalmente", qualquer pedido de asilo político em Portugal, sublinhando ser necessário não se entrar pela via da especulação. "Que eu tenha conhecimento, até agora não há nenhum pedido formal de asilo. Neste momento, está na Embaixada portuguesa em Bissau e essa protecção (a Nino Vieira) é garantida", assegurou o primeiro-ministro. Esta afirmação cautelosa vem confirmar as informações, ontem publicadas pelo DN, de que Nino Vieira estava impossibilitado de ver divulgado um pedido de asilo a Portugal ou a qualquer outro país (que poderia ser Moçambique, de acordo com algumas fontes diplomáticas), uma vez que a Junta Militar insistia em não lhe garantir uma saída em segurança, exigindo o seu julgamento. Por isso mesmo, as autoridades portuguesas só tomarão oficialmente conhecimento de um pedido de asilo quando a Junta garantir a integridade física de Nino Vieira e respeitar a sua saída para o estrangeiro. Questionado sobre se o avião Falcon, da Força Aérea Portuguesa, que Lisboa disponibilizou para levar o chefe do Governo guineense, Francisco Fadul, a Bissau, traria Nino no regresso, Guterres respondeu ser ainda "prematuro" falar sobre isso. "Há duas questões distintas: a primeira é a presença na Embaixada sob a protecção das autoridades portuguesas, que lhe é garantida. Outra é saber se pede ou não asilo político a Portugal", acrescentou. Entretanto, o ministro da Defesa anunciou que o avião C-130 da Força Aérea Portuguesa, que partiu ontem para Bissau, deverá transportar da capital guineense para a ilha do Sal, em Cabo Verde, ou para Lisboa, refugiados franceses e senegaleses. Trata-se, na maioria, de elementos da guarda pessoal de Nino Vieira, que depois do reinício do conflito na Guiné-Bissau se refugiaram na Embaixada de Portugal. O ministro da Defesa esclareceu que o C-130 levou a bordo ajuda humanitária para os refugiados que se encontram na Embaixada de Portugal. Na manhã de ontem, um grupo de soldados fiéis a Nino Vieira envolveu-se em tiroteio com forças da Junta Militar. O incidente prolongou-se por meia hora e terá sido o único registado desde que, na sexta-feira, a Junta passou a controlar a capital. Também ontem de manhã grupos de populares assaltaram a delegação da União Europeia e o Centro Cultural Francês, para roubar alguns bens, obrigando à intervenção da Junta Militar. Apesar disso, Bissau acordou ontem em ambiente de normalidade, com a população a retomar a actividade diária habitual, depois de uma noite tranquila. O mercado de Bandim, o principal centro de comércio da capital, voltou a funcionar em pleno após um dia de total inactividade, devido ao reacender da guerra em Bissau, que culminou na sexta-feira com a rendição das forças afectas ao Presidente Nino Vieira. Diversos estabelecimentos da baixa de Bissau reabriram também as portas, emprestando um toque de completa normalidade à vida na capital, onde também já regressaram as populações que debandaram na quinta-feira para fugir aos confrontos. Por outro lado, o primeiro-ministro, Francisco Fadul, confirmou que o presidente da Assembleia Nacional Popular será o Chefe do Estado interino da Guiné-Bissau, sublinhando que o Governo cumprirá todos os preceitos constitucionais e respeitará a data marcada para as eleições. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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