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Em: 08-MAI-1999

PAIGC «adia» futuro de Nino


A disputa pela liderança do PAIGC entre Malam Bacai Sanhá (à esquerda) e Nino Vieira promete agudizar-se neste fim-de-semana

UMA parte das dúvidas que envolvem o futuro político do Presidente João Bernardo «Nino» Vieira deverá ser dissipada no plenário do Comité Central do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que esteve marcado para este fim-de-semana, em Bissau.

O encontro era para começar ontem, mas o reacendimento dos confrontos na capital inviabilizará certamente a reunião. Esta ia fixar a data do III Congresso extraordinário do antigo partido governamental e poderá esclarecer se Nino Vieira pretende continuar à frente do PAIGC ou se vai renunciar ao cargo, como indicam insistentes rumores que têm corrido nos últimos tempos na capital guineense.

O debate sobre a questão da liderança da maior formação política guineense é incontornável, já que o prestígio do Presidente saiu seriamente abalado do conflito militar iniciado a 7 de Junho, e é preciso definir quem irá defender as cores do partido nas próximas eleições gerais, que acabam de ser fixadas oficialmente para 28 de Novembro.

Um candidato à sucessão

Na sessão plenária espera-se uma disputa cerrada entre partidários e adversários de Nino Vieira, estes últimos agrupados no Movimento Renovado e que têm como chefe-de-fila o presidente do Parlamento, Malam Bacai Sanhá. Durante a sua recente estada em Lisboa, onde assistiu às celebrações do 25 de Abril, Bacai Sanhá assumiu-se como candidato à sucessão de Nino Vieira.

A criação do comité preparatório do Congresso é outro ponto da agenda da reunião, cujos participantes terão ainda presente a necessidade de pacificar e restituir unidade a um partido bastante dividido e confrontado com uma crise de identidade desde a instauração do multipartidarismo, em 1991.

A actual relação de forças no seio do antigo partido no poder é favorável aos «renovadores», que exigem a demissão de Nino Vieira da presidência do PAIGC, apontado como principal responsável pela crise que paralisou a vida do país. Os «renovadores», que divulgaram na semana passada um manifesto, criticam a falta de democracia interna e a ausência de definição ideológica.

Por seu lado, o Presidente guineense mantém um mutismo absoluto sobre o seu futuro à frente do Estado, mas já manifestou a sua exaustão e decepção em relação às querelas internas do PAIGC, de cuja direcção poderá renunciar ainda a tempo de evitar o confronto com os seus colegas, praticamente inevitável.

NANDO COIATÉ, correspondente em Bissau

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