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![]() Em: 08-MAI-1999 Guiné nas mãos da Junta militar Nino Vieira refugia-se na Embaixada portuguesa ![]() Nino Vieira quando saía do Centro Cultural francês protegido por seguranças da Embaixada portuguesa O PRESIDENTE Nino Vieira e os embaixadores da França e do Senegal encontram-se, desde ontem, refugiados na Embaixada de Portugal em Bissau, após o intenso tiroteio que varreu a capital guineense e culminou na tomada de poder pela Junta Militar. As autoridades portugueses, através dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, falaram ontem várias vezes com os representantes do novo poder instalado em Bissau, tendo-lhes sido garantidas pelo porta-voz da Junta a segurança e a integridade física do Presidente e da sua família. O primeiro-ministro Francisco Fadul, que se encontrava há alguns na Europa em negociações com os dadores de ajuda internacional, regressou ontem a Lisboa e deverá seguir hoje para Bissau, num «Falcon» posto à sua disposição pelo Governo português. Segundo apurou o EXPRESSO, ainda não foi formalizado nenhum pedido de asilo político para Nino, nem as autoridades portuguesas lho ofereceram. Mas o desfecho provável é a sua saída da Guiné, dentro de três ou quatro dias, via Lisboa. Na nossa Embaixada em Bissau encontra-se também refugiado todo o pessoal diplomático e cooperante francês, num total de 20 pessoas, entre elas alguns militares. O Presidente João Bernardo «Nino» Vieira começou por pedir abrigo no Centro Cultural francês, mas foi obrigado a sair, sob pressão popular e dos militares da Junta. E, nessa altura, foram os GOI's, os militares que protegem a Embaixada nacional, e o próprio embaixador António Dias que protegeram o Presidente. A entrada de Nino na Embaixada de Portugal culminou um crescendo de tensões político-militares, que voltaram a pôr Bissau a ferro e fogo. O motivo próximo foi a disputa sobre o (des)armamento da guarda presidencial. O corpo da segurança de Nino teria muito mais do que os 30 elementos armados decididos pela Comissão Tripartida. Face à alegada recusa da Presidência em desarmar os excedentes, Ansumane Mané exigiu tratamento igual, chamando o comandante da Ecomog e abrindo à sua frente um contentor de armas. As forças de Nino terão feito o mesmo, levando os rebeldes a avançar e a cercar o Palácio. No intenso tiroteio registado a partir da madrugada de ontem terão sido mortos dezenas de soldados de ambas as partes, antes de as forças de Nino se renderem, ao fim da manhã. Na sequência dos recontros arderam e foram saqueados o Palácio presidencial e o Centro Cultural francês. Ao fim da tarde de ontem a situação já estava calma, com os homens de Mané a controlarem Bissau por completo. Após a deposição de Nino, uma das questões que se colocam é quem irá preencher o vazio no poder. Constitucionalmente, deve ser o Presidente do Parlamento, Malam Sanhá, mas a transição até às eleições - marcadas para 29 de Novembro - poderá conhecer alguma intranquilidade. Copyright 1998 Sojornal. Todos os direitos reservados.
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