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Em: 08-MAI-1999

Fernando Delfim da Silva, ex-MNE da Guiné-Bissau: «Prefiro Mário Cabral»


Fernando Delfim da Silva: «O golpe de 7 de Junho era para pôr Malam no poder»

FERNANDO Delfim da Silva, antigo chefe da diplomacia da Guiné-Bissau, revelou que é favorável à escolha de Mário Cabral para futuro presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Em declarações prestadas ao EXPRESSO em Lisboa, onde se encontra radicado há seis meses, Delfim da Silva defende a candidatura de Mário Cabral - engenheiro agrónomo e antigo ministro de sucessivos Governos de Luís Cabral e Nino Vieira, actualmente a trabalhar para a Unesco em Dacar - por considerar que «é uma figura com passado histórico no partido, e que se manteve distanciado da crise».

Segundo o antigo chefe da diplomacia guineense e dirigente do PAIGC, o ex-partido no poder enfrenta «sérias clivagens», e encontra-se «mais próximo da cisão do que da coesão».

Por isso, advoga uma nova liderança, para introduzir uma reforma de fundo, uma ruptura com o passado. E no seu entender, Mário Cabral «é capaz de apresentar um discurso novo».

«Substituir Nino Vieira por Malam Bacai Sanhá, Saturnino ou Carlos Correia equivale a deixar tudo na mesma», disse.

Delfim da Silva qualificou o levantamento armado de 7 de Junho de 1998 como «um golpe no interior da família do PAIGC, com efeito fracturante. Foi um problema interno mal gerido e que transbordou».

Para Delfim da Silva, um dos homens de confiança de Nino Vieira, «o golpe de 7 de Junho era para pôr Malam no poder». Malam Bacai Sanhá, membro da direcção do PAIGC e actual presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP, parlamento), é apontado como o mais sério candidato à substituição de Nino.

Interrogado sobre a possibilidade de renúncia ao poder do chefe de Estado guineense, Delfim da Silva reconheceu que as instituições na Guiné-Bissau «sofreram um grande desgaste, em particular o Presidente da República», mas indicou que «compete ao Presidente tirar as ilações».

O antigo ministro, que aguarda a reabertura do aeroporto para regressar a Bissau, anunciou que vai apresentar uma moção de estratégia ao III Congresso extraordinário do PAIGC, cuja data deve ser fixada este fim-de-semana, no decurso do plenário do comité central do ex-partido governamental.

N.C.

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