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Correio da Manhã

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Em: 11-MAI-1999

Bissau regressa à normalidade


Depois dos confrontos na foto o palácio presidencial em chamas , a calma regressou ontem a Bissau (telefoto EPA/Lusa/CM)

Os estabelecimentos comerciais de Bissau abriram ontem de manhã ao mesmo tempo que Governo e Junta Militar endureciam o combate à vaga de assaltos que se seguiu ao golpe de sexta-feira, confirmando o clima de tranquilidade já notado no domingo.

O mercado de Bandim, principal centro abastecedor do país, esteve a funcionar normalmente assim como estabelecimentos ligados aos ramos alimentar e de serviços e uma bomba de combustível na baixa da capital guineense abriu igualmente pela primeira vez desde o início do conflito que levou à tomada da cidade pelas forças da Junta Militar.

Alguns organismos oficiais, nomeadamente ministérios, também abriram as portas, embora não havendo notícia de que os respectivos titulares se encontrem nos gabinetes, constituindo as únicas notas de anormalidade a irregularidade das comunicações internacionais e do abastecimento de energia eléctrica.

Quanto ao porto de Bissau, continua encerrado desde o início da tomada da cidade, sexta-feira. No que respeita aos assaltos e pilhagens, o porta-voz da Junta, Zamora Induta, atribuiu-os a delinquentes que se aproveitaram do armamento deixado por tropas leais ao presidente 'Nino' Vieira".

"A normalidade está a regressar ao país paulatinamente", afirmou Induta, sublinhando que, a partir de ontem, o Ministério da Administração Interna assumiu o seu papel na manutenção da ordem pública.

Aquele ministério e a Junta multiplicaram apelos para que militares afectos ao deposto presidente "Nino" Vieira que se encontram fugidos desde sexta-feira entreguem as armas, garantindo-lhes que nada será feito contra a sua integridade física. Até ontem, mais de duas centenas de militares afectos ao deposto presidente já se entregaram às força da ECOMOG que se encontra na Guiné ao abrigo dos acordos de Abuja.

A Junta mandou, entretanto, retirar de Bissau a maioria dos militares que tomaram parte no golpe de sexta-feira, substituindo-os por um contingente menor, do qual alguns elementos permanecem junto à embaixada de Portugal, única representação diplomática europeia em funcionamento, alegadamente para proteger "Nino" Vieira.

Quanto a "Nino" Vieira, que pediu e obteve asilo político em Portugal, a reunião de ontem entre a Junta Militar, o presidente do Parlamento, Governo e líderes partidários não foi conclusiva. Refira-se que os militares querem julgar na Guiné por crimes contra a Nação.

A Paris chegou, entretanto, o secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Amado, a fim de discutir com responsáveis franceses a situação na Guiné-Bissau.

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