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Correio da Manhã

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Em: 12-MAI-1999

Junta quer entregar 'Nino' à justiça

'Nino' vai ter de responder pelos seus actos perante a Justiça


O presidente guineense deposto, João Bernardo "Nino" Vieira, vai ser entregue às autoridades judiciais antes de a Junta Militar autorizar a sua saída do país para o exílio. A decisão foi tomada ontem durante uma reunião em que participaram o comandante supremo da Junta Militar, Ansumane Mané, o presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Malam Bacai Sanhá - que foi confirmado como chefe de Estado interino -o primeiro-ministro, Francisco Fadul, e representantes das mais importantes forças políticas guineenses.

"Nino" Vieira encontra-se ainda refugiado na embaixada de Portugal em Bissau, para onde foi levado por dois oficiais da Junta Militar por razões de segurança na passada sexta-feira. Recorde-se que foi o embaixador português, António Dias, que pediu ao brigadeiro Ansumane Mané que deixasse "Nino" refugiar-se na missão diplomática portuguesa. A Junta Militar diferiu o pedindo com a condição de o presidente guineense deposto ser entregue às autoridades caso estas assim o entendessem.

O Governo português desmentiu ontem que a concessão de refúgio a "Nino" na embaixada portuguesa tenha tido como condição a sua entrega às autoridades guineenses, caso estas o exigissem. Uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal garantiu que não foram feitas quaisquer exigências.

Quase todos os intervenientes nesta reunião, convocada por Mané para discutir a situação de "Nino", manifestaram-se a favor de que este responda pelos seus actos perante a Justiça, antes da sua partida para o exílio. A favor do exílio imediato e sem restrições de "Nino" manifestaram-se Malam Sanhá, Francisco Fadul e dois deputados do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). O comandante supremo da Junta Militar confirmou a substituição do chefe de Estado deposto pelo presidente da ANP, Malam Sanhá, que tomará posse já amanhã.

Mané anunciou também a designação do comandante operacional da Junta Militar, tenenete-coronel Veríssimo Seabra, para o cargo de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, substituindo o brigadeiro Humberto Gomes, leal às forças que apoiaram "Nino"

A Junta admite libertar nos próximos dias os soldados "aguenta" que lutaram ao lado de "Nino" Vieira e que constituíram o principal obstáculo às forças de Ansumane Mané na tomada de Bissau. Esta informação foi dada por um oficial do Comando Supremo da Junta, que adiantou poder a libertação ocorrer ainda esta semana, na presença das famílias daqueles militares.

Este procedimento da Junta Militar poderá ser também extensivo a algumas figuras ligadas ao regime deposto, numa atitude que tem por finalidade demonstrar, na prática, que a Junta "não tem qualquer objectivo de vingança".

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