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Em: 12-MAI-1999 Carlos Albino Golpe de Estado foi de Nino, mas falhou O triunfo militar de Ansumane Mané e o desfecho da acção da sua Junta Militar para a Consolidação da Democracia, Paz e Justiça (assim se designa o movimento que já foi meramente "dos rebeldes" e agora se constata ser do próprio Estado guineense em peso) estão a embaraçar várias chancelarias. Por razões substancialmente diferentes e, em certo sentido, até opostas, Lisboa e Paris estão a deixar-se cair nesse embaraço. Tudo ainda por causa de Nino. A diplomacia francesa revelou-se logo muito preocupada com um golpe de Estado que atribui a Ansume Mané, tendo a interpretação de Paris feito imediato eco na OUA, que ontem, numa reunião a nível de embaixadores, em Addis Abeba, pediu o restabelecimento da "ordem constitucional" em Bissau. E Portugal embaraça-se com o asilo concedido a Nino Vieira, questão que, mais tarde ou mais cedo, será deveras relacionada com graves acusações (designadamente de corrupção) que pairam sobre o ex-presidente guineense. Caso tais acusações fiquem provadas, o embaraço de Lisboa será ainda maior, uma vez que o asilo político não é chapéu que tudo cubra. Quanto à acção que definitivamente arrumou o conflito, a Junta avançou com cinco argumentos que remetem para Nino a tentativa de provocar, ele sim, um golpe de Estado. Diz a Junta que Nino impediu o desarmamento do Batalhão Presidencial pela Comissão Mista, que evitou a redução do referido batalhão a 30 efectivos; que lançou às ruas as tropas que controlava, quando estas já tinham sido acantonadas; que nomeou o procurador-geral da República e substituiu o embaixador em Portugal sem o acordo prévio do comandante da Junta, violando o estatuto orgânico do governo de unidade e que, finalmente, armou e enviou para a ex-linha da frente tropas sob o seu comando, desencadeando as hostilidades. Se fez isto, Nino tentou de facto um golpe de Estado e não se compreendem assim as preocupações da diplomacia francesa nem os embaraços em que Portugal se deixou cair. O golpe de Estado tentado por Nino foi uma tentativa desesperada de sobrevivência, comum em África. Desde Outubro de 1998, ele ficou sem o apoio do seu próprio partido (o PAIGC retirou-lhe confiança) e o parlamento convidou-o a demitir-se. Carlos Albino é o correspondente diplomático do DN Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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