|
Em: 14-MAI-1999 Portugal garante segurança de 'Nino' ![]() Mané (na foto) não desiste de levar "Nino" à Justiça (telefoto EPA/Lusa/CM) O asilo a João Bernardo "Nino" Vieira pode causar sérios embaraços a Portugal. O comandante supremo da Junta Militar, brigadeiro Ansumane Mané, insiste em que o presidente guineense deposto foi autorizado a refugiar-se na missão diplomática portuguesa sob a condição de ser entregue às autoridades guineenses, assim que elas o pedissem, para ser julgado. Lisboa nega que tenha havido um tal acordo e o primeiro-ministro português, António Guterres, já garantiu que Portugal respeitará o direito de asilo de "Nino" Vieira . Em Bissau, o atraso na eleição do novo presidente da Assembleia Nacional Popular fez que a tomada de posse de Malam Bacai Sanhá como chefe de Estado interino, inicialmente marcada para o dia de ontem, fosse adiada para hoje. "Somos um país fiel aos seus compromissos. Demos asilo a "Nino Vieira e, dentro do território português, esse compromisso será cumprido" - assegurou Guterres. Em Bissau, um diplomata português confirmava a indisponibilidade de Lisboa de entregar o presidente deposto e adiantava que tal se devia também ao estado de saúde deste. "O estado de saúde "Nino" Vieira não permite que seja entregue à Justiça do seu país, ainda que seja julgado "in absentia" - comentou aquele diplomata. Ao fim da tarde de quarta-feira, após um encontro entre Ansumane Mané e o embaixador português, António Dias, uma fonte do Ministério dos Negócios português assegurava que o impasse haviam sido ultrapassado. Mas Zamora Induta, porta-voz da Junta Militar, desmentia pouco depois: "Não há qualquer alteração da posição das novas autoridades da Guiné-Bissau em relação ao presidente deposto". O impasse não está a perturbar o funcionamento das instituições em Bissau nem impediu a libertação de soldados fiéis a "Nino" Vieira. Efectivamente, o Parlamento reuniu-se ontem para votar as várias candidaturas à substituição de Malam Bacai Sanhá no cargo de presidente da Assembleia Nacional Popular, mas um atraso nos trabalhos obrigou ao adiamento da tomada de posse deste como chefe de Estado interino, agora marcada para hoje. Os deputados elegeram Agostinho Cabral de Almada, militante histórico do PAIGC, para o cargo de presidente da Assembleia. A primeira tarefa de Cabral de Almada, conhecido por "Comandante Gazela", será dar posse a Malam Sanhá. No mesmo dia, a Junta Militar libertou quase duas centenas de "aguentas", como são chamados os militares leais ao presidente deposto. O comandante da Junta entregou simbolicamente 186 jovens - com idades compreendidas entre os 15 e 20 anos e recrutados depois de iniciada a revolta no país - ao primeiro-ministro, Francisco Fadul. Este, por sua vez, entregou-os ao presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Fernando Gomes. Os jovens vão frequentar cursos de iniciação profissional num centro de formação daquela organização. A Junta terá ainda em seu poder mais de duas centenas de "aguentas". © 1998 Correio da Manhã. Todos os direitos reservados.
Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Geocities Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista
|