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Em: 14-MAI-1999

Nino teima em não renunciar

Saída livre para o exílio depende da abdicação do título presidencial

Carlos Albino


Arquivo DN
NORMALIZAÇÃO. Cabral Almada eleito presidente do parlamento

Nino Vieira continua a recusar a assinatura de uma renúncia formal ao título de chefe de Estado e é esta sua atitude que está a prejudicar uma solução para a sua partida para o exílio, garantiram-nos fontes africanas que seguem de perto o processo.

O acto de renúncia é considerado indispensável para que o novo chefe de Estado, Malam Bacai Sanhá, que hoje entra em funções segundo os mecanismos constitucionais, não se apresente como meramente interino.

Junta e Parlamento querem ver no substituto de Nino um Presidente da República que, ainda que transitório, surja na plenitude de funções e possa ser reconhecido internacionalmente sem reservas. Malam Bacai Sanhá toma, hoje, de manhã, posse da chefia interina do Estado, após a eleição, ontem, de Agostinho Cabral de Almada como presidente do Parlamento. Cabral Almada obteve 64 votos dos 90 deputados guineenses (24 contra e duas abstenções), vencendo Salvador Tchongó (26 votos) e Zeca Martins (21 votos).

Segundo as nossas fontes, Nino está a ser aconselhado do exterior para continuar a recusar a renúncia, embaraçando ainda mais a posição de Portugal, que lhe concedeu asilo sob a condição de não prosseguir qualquer actividade política e após a assinatura do acto de rendição militar.

Mas além da exigência de renúncia expressa ao cargo presidencial, um julgamento de Nino é apenas desejado pela Junta para credibilizar e restaurar a imagem internacional da Guiné-Bissau, designadamente na área onde o país se insere. Sabe-se que as recentes revelações sobre as implicações de Nino no tráfico de armas para a guerrilha de Casamansa acabaram por embaraçar também o Senegal, país que prestou sem reservas auxílio militar a Nino. Assim se explica a total discrição que o Senegal tem mantido sobre os acontecimentos que levaram Nino a refugiar-se na embaixada portuguesa, entregue pela Junta, que assumidamente o protegeu do descontrolo popular.

Os enigmáticos conselheiros de Nino, ainda segundo as nossas fontes, são os mesmos que levaram algumas personalidades, como Koffi Annan e Chissano, a condenar o que classificaram de "golpe de Estado", reforçando assim a legitimidade de que Nino, como asilado, se julga possuidor.

Ontem, o administrador da diocese de Bissau, numa rara tomada de posição pública da Igreja Católica sobre matéria política expressa, apelou a Nino Vieira para que "faça um ponto de honra" e aceite ser julgado. O apelo foi transmitido ao secretário-geral da ONU. A Igreja diz a Nino que, "se não teme a verdade, aceite colaborar com a justiça e ser julgado, dentro ou fora do país".

Entretanto, registe-se que a Junta libertou, ontem, 186 soldados leais a Nino, na sua maioria jovens entre os 16 e os 20 anos.

Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt

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Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista

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