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![]() Em: 15-MAI-1999 Mané disposto a deixar sair Nino Vieira ![]() ANSUMANE Mané, o comandante supremo da Junta Militar da Guiné-Bissau, está disposto a deixar sair Nino Vieira - soube o EXPRESSO junto de fontes bem informadas da capital guineense. O ex-Presidente encontra-se refugiado desde dia 7 na Embaixada de Portugal em Bissau, onde solicitou a concessão de asilo político. No entanto, os novos detentores do poder têm mantido Nino no país, para que seja julgado pelo seu alegado envolvimento no tráfico de armas - um caso que esteve na origem do levantamento militar de 7 de Junho do ano passado. A favor da saída de Nino pronunciaram-se, no princípio da semana, o primeiro-ministro, Francisco Fadul, e o presidente da Assembleia Nacional Popular, Malan Bacai Sanhá - que ontem foi empossado no cargo de Presidente da República interino. Em público, o brigadeiro Ansumane Mané tem defendido a necessidade de Nino ser entregue às autoridades judiciárias, mas em círculos políticos e diplomáticos de Bissau o homem-forte da Junta Militar tem admitido que a saída para Portugal seria conveniente para a estabilidade do país. A esta solução têm-se oposto, com particular veemência, os partidos da oposição e alguns sectores da Junta Militar - sobretudo os comandos de etnia balanta, que não esquecem os fuzilamentos com que o regime abafou o alegado golpe militar de 1986. Um dos mais célebres comandantes operacionais da Junta, que esteve particularmente em evidência na batalha de Bissau de dia 7, admitiu mesmo que, no caso de Nino sair do país sem julgamento, estaria disposto a liderar um golpe de Estado. Como se sabe, Portugal tem recusado liminarmente a hipótese de entregar Nino às novas autoridades, o que está a provocar alguma tensão entre Bissau e Lisboa. João Bernardo Vieira está refugiado na Embaixada de Portugal desde o dia 7. O pedido de protecção foi feito cerca das 13 horas de sexta-feira e chegou pelo telefone satélite do embaixador português em Bissau. Sem poder para tomar uma decisão de tamanha envergadura, o embaixador António Dias ligou para Lisboa, para o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Amado. Com a batalha final a decorrer, ficou combinado que este iria pedir uma escolta à Junta Militar, por forma a assegurar a segurança da comitiva que iria procurar trazer Nino. O comando dos rebeldes colocou três condições: a assinatura, pelo ex-Presidente, de uma declaração de rendição; um pedido formal à Embaixada de acolhimento nas suas instalações; e, por fim, o compromisso das autoridades portugueses de que Nino não sairia do país. Aceites as três condições, Nino assinou, de pronto, uma declaração em que afirma que «após onze meses de conflito político-militar», aceita «a rendição incondicional». Num segundo documento pede «que a Embaixada de Portugal» o «acolha nas suas instalações, bem como à família e às pessoas que neste momento o acompanham». Hoje, prevê-se que receba as primeiras visitas: diplomatas da Suécia e de Cuba. A pedido da Embaixada, a Junta assegura a segurança das instalações diplomáticas. JOSÉ PEDRO CASTANHEIRA, enviado a Bissau Copyright 1998 Sojornal. Todos os direitos reservados.
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