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![]() Em: 15-MAI-1999 As incógnitas da presença regional SERÁ o Senegal o «melhor aliado» dos novos dirigentes de Bissau no seio da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)? A serenidade com que o Governo de Dakar tem reagido ao golpe de força em Bissau surpreendeu (e irritou) os meios políticos e militares senegaleses. O ministro senegalês dos Negócios Estrangeiros, Charles Baudin, absteve-se de condenar o golpe - como o fizeram o secretário-geral da ONU Baudin deu-se por satisfeito com o pedido de desculpas da sua homóloga guineense e do «presidente indigitado», Malam Bacai Sanhá, pela destruição da embaixada senegalesa em Bissau, e prontificou-se a indemnizar os cidadãos senegaleses que perderam os seus bens, destacando que não tinham sido vexados nem agredidos. Reafirmou, ainda, o desejo de Dakar de manter relações de boa vizinhança com a Guiné «dentro do respeito pelos princípios da democracia e do Estado de direito». A atitude conciliadora do Senegal está obviamente relacionada com a situação na Casamança. Os separatistas do Movimento das Forças Democráticas de Casamança (MFDC) saudaram a «vitória» da Junta de Ansumane Mané sobre Nino Vieira - que acusam de ter permitido o «genocídio» do povo de Casamança pelas tropas senegalesas - e pediram a mediação de Portugal e da ONU. E a Ecomog? Este conflito esteve sempre subjacente à crise de Bissau e encontrava-se, indirectamente, incluído nos acordos de Abuja, de Novembro de 1998, assinados por Vieira e Mané sob os auspícios da CEDEAO. Com efeito, estava previsto que uma parte do contingente da ECOMOG (braço militar da CEDEAO) que foi enviado para a Guiné deveria ocupar posições na fronteira norte, precisamente para impedir a movimentação dos guerrilheiros do MFDC. Esta parte dos acordos nunca foi cumprida e o destino do contingente da ECOMOG que se encontra em Bissau é uma das questões prioritárias que a CEDEAO deverá resolver. Pelo menos dois militares da ECOMOG foram mortos em confrontos com os militares da Junta e o Benin já tomou a decisão de retirar os seus 195 homens. Mas a Gâmbia, Nigéria e Togo ainda não tomaram posição. No comunicado em que condenou o golpe, a OUA exigiu a «restauração imediata da legalidade constitucional e o respeito do acordo de Abuja», num aparente esforço para defender a periclitante autoridade da CEDEAO, fortemente abalado após os acontecimentos de Bissau e de Niamey. Depois do Presidente do Níger, Ibrahim Baré Mainissara, assassinado a 9 de Abril, Nino Vieira é o segundo chefe de um Estado membro da CEDEAO a ser derrubado pelos militares sem que a organização regional tenha sido capaz de controlar a situação e a aceitação do «facto consumado» pode abrir um perigoso precedente para a Serra Leoa, onde a ECOMOG está em dificuldade para aguentar no poder o Presidente Tejjan Kebah. O que está em jogo A França e o Reino Unido, que resolveram recentemente unir os seus esforços para estabilizar a situação numa região explosiva, e os Estados Unidos, sobretudo preocupados com a difícil transição democrática na Nigéria, não estarão inclinados à benevolência com os «golpistas», sejam quais forem as suas razões e intenções. Estão em jogo, não apenas as ajudas prometidas à reconstrução da Guiné-Bissau mas também as ajudas da União Europeia e até a liquidez financeira necessária para fazer frente às necessidades correntes, já que a Guiné-Bissau faz parte da «zona franco» e da UEMAO (União Económica e Monetária da África Ocidental). Foi o que Francisco Fadul tentou explicar aos sectores mais radicais da Junta e da classe política guineense para os convencer a deixar Nino Vieira partir para o exílio. Não o conseguiu, pondo em cheque a diplomacia portuguesa, que se comprometeu a fazer respeitar o asilo concedido ao Presidente refugiado na embaixada portuguesa. É neste contexto que o apoio diplomático do Senegal pode ser precioso para o Governo de Bissau. N.G. Copyright 1998 Sojornal. Todos os direitos reservados.
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