|
Em: 17-MAI-1999 'Nino' pode vir para Portugal mas só depois do julgamento ![]() Um grupo de guineenses manifestou-se ontem à tarde, em Lisboa, frente à residência do primeiro-ministro, contra o asilo político que Portugal pretende dar a "Nino" Vieira (foto Andre Kosters, Lusa/CM) Uma delegação da Junta Militar da Guiné-Bissau, chefiada pelo seu comandante operacional, tenente-coronel Veríssimo Seabra, partiu ao princípio da tarde de ontem para Lisboa, via Cabo Verde, para se reunir hoje com as autoridades portuguesas. Sobre a possibilidade de "Nino" Vieira vir para Portugal, o porta-voz da Junta disse ontem que isso poderá acontecer, mas "só depois de ser julgado". A delegação integra o tenente-coronel Iáiá Seidi Sani, o major Melcíades Gomes Fernandes e o comandante Zamora Induta, porta-voz oficial da Junta. Estes elementos partiram ontem num avião Falcon da Força Aérea Portuguesa, depois de uma escala em Cabo Verde. No Falcon seguiu também o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Portuguesas, general Espírito Santo, e o seu homólogo de Cabo Verde, general Osório. Os dois participaram em Luanda numa reunião de chefias militares dos Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Depois de alguns dias em Lisboa, a delegação da Junta Militar da Guiné-Bissau parte para Cabo Verde, onde decorre nos próximos dias 24 e 25 uma reunião dos ministros da Defesa da CPLP. Em Lisboa, a delegação chefiada pelo tenente-coronel Veríssimo Seabra, já indigitado para chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, tem encontros marcados com os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, respectivamente Veiga Simão e Jaime Gama. O porta-voz da Junta Militar guineense, Zamora Induta, admitiu a possibilidade da saída da Guiné-Bissau do presidente deposto João Bernardo 'Nino' Vieira, mas reafirmou que este "vai ser julgado". Zamora Induta, que falava aos jornalistas antes de embarcar no Falcon da Força Aérea Portuguesa, admitiu a possibilidade de saída de 'Nino' Vieira da Guiné-Bissau por "razões de saúde e outras", que não esclareceu. "A possibilidade de ele sair e depois ser julgado é uma questão que vamos ver. Se sai agora, volta depois, como vai e quando vem, isso não sabemos", acrescentou. "Vamos encontrar uma solução. Agora que ele vai ser julgado isso não há dúvidas". Zamora Induta negou categoricamente que a situação de 'Nino' Vieira venha a ser objecto de negociações com as autoridades portuguesas. "Não temos nada a negociar. Não vai haver negociações. Vamos sim, conversar". Sem querer divulgar o conteúdo da missão da delegação da Junta Militar que, segundo as suas palavras, abrange também uma visita a Cabo Verde, que "já se encontrava planeada há muito", Zamora Induta minimizou a alegada disponibilidade do brigadeiro Ansumane Mané, líder da Junta, em deixar partir 'Nino'. "O comando supremo da Junta Militar é um comando democrático em que impera a decisão da maioria e a decisão da maioria foi a de levar o assunto à sociedade civil, que entendeu que 'Nino' Vieira deve ser julgado", esclareceu. O guineense realçou ainda que o problema do presidente deposto "ultrapassa a competência exclusiva da Junta Militar", reafirmando a posição tomada no passado dia 10 pela sociedade civil quanto à necessidade de 'Nino' responder perante a Justiça guineense. © 1998 Correio da Manhã. Todos os direitos reservados.
Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Geocities Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista
|