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Em: 18-MAI-1999

"No-Pintcha" vai reaparecer ao fim de um ano

Director do jornal promete uma renovada independência. Mas "vamos evitar a informação que vá trazer a guerra de novo"

Luís Naves

A penúltima edição do semanário Nô-Pintcha (a palavra significa avante) tinham um título premonitório: "África deve levar a sério a questão da boa governação." Era sexta-feira, 8 de Maio de 1998, um ano e uma guerra depois, o jornal ainda não voltou a sair. Os 12 redactores podiam ter sido pagos com arroz ou deveriam receber 2500 CFA-francos (uns 800 escudos) e pouco mais por uma reportagem. Mas não há dinheiro.

O Nô-Pintcha é um viveiro de jornalistas e chegou a vender dois mil exemplares usando a maior gráfica da cidade de Bissau. Hoje, o equipamento está todo avariado e as melhores máquinas da tipografia estão paradas. A redacção não pode funcionar, porque os computadores precisam de peças sobressalentes.

"Se tivermos dados negativos sobre elementos da Junta, vamos publicar", garante Aniceto Alves, director do jornal, que promete uma renovada independência para a publicação. A imparcialidade, apesar de tudo, não irá até ao limite: "Vamos evitar a informação que vá trazer a guerra de novo", explica, com um sorriso amargo.

No passado, não foi fácil fazer jornalismo na Guiné. A censura chegava após a publicação dos textos e os jornalistas foram muitas vezes chamados às autoridades, para ouvir as críticas. E as ameaças. A liberdade de imprensa era impedida mesmo com a baixa circulação das publicações existentes.

Entretanto, houve uma explosão de novos projectos (Banobero, Gazeta, etc). Semanários sobretudo, todos em português, porque é quase impossível escrever um jornal eficaz em crioulo. A próxima edição do Nô-Pintcha vai trazer uma retrospectiva de tudo o que se passou desde 7 de Junho, como se fosse necessário agarrar o tempo perdido. "Vamos tratar de tudo sobre o Nino Vieira e sobre toda a gente", promete Aniceto Alves, que já obteve uma ajuda da cooperação sueca para recuperar o parque de máquinas.

"Será o máximo de informação que conseguirmos obter", conclui este director, que ainda não sabe como vai pagar aos jornalistas, onde encontrará papel e tinta e, pergunta mais importante, se alguma autoridade o vai chamar depois do próximo Nô-Pintcha sair à rua.

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