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Em: 19-MAI-1999 Zamora recusa negociar Nino e CPLP toma posição cinzenta Zamora Induta, porta-voz da Junta Militar, recusou ontem estar a negociar em Lisboa o destino de Nino Vieira endossando essa tarefa para as instituições políticas do Estado guineense. "A Junta Militar não responde politicamente pelo país", garantiu Zamora em conferência de imprensa em que evitou sempre responder a qualquer questão relacionada com o julgamento ou a saída de Nino do país. Zamora admitiu divergências, a propósito de Nino, entre o comando militar e o primeiro-ministro Francisco Fadul, mas comentou que "não são razões para uma insatisfação. Há divergências, mas elas são naturais e não põem em causa os objectivos da Junta Militar". Zamora reiterou ainda o "apoio incondicional" do comando liderado por Ansumane Mané ao primeiro-ministro Fadul. Confrontado com várias declarações de organizações internacionais, designadamente a UE, condenando a destituição de Nino, algumas classificando os acontecimentos de Bissau como "golpe de Estado", Zamora Induta respondeu sem hesitações: "O destino da Guiné-Bissau está nas mãos dos guineenses". Seguidamente, desdramatizou as consequências de tais declarações. "É natural que a comunidade internacional aja em conformidade, mas caberá a quem de direito ultrapassar essa clivagem", disse Zamora, numa clara alusão ao futuro papel do Presidente interino, do Governo de Unidade Nacional e do parlamento. Zamora garantiu que a Junta Militar apenas se dissolverá após as eleições marcadas para Novembro, com o termo do período de transição política acordado em Abuja. Embora uma das partes (Nino Vieira) já tenha desaparecido do cenário político, a Junta vai cumprir escrupulosamente os termos e o calendário do Acordo de Abuja. Entretanto na CPLP, o Conselho de Concertação Permanente (a nível de embaixadores) emitiu ontem uma posição comum sobre a Guiné-Bissau. O teor do comunicado da CPLP, que apenas foi conseguido após sete versões, é manifestamente inócuo e cinzento, evitando a tomada de quaisquer posições claras sobre as questões mais polémicas da Guiné-Bissau. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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