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Em: 20-MAI-1999 Futuro de ex-presidente discutido hoje Junta Militar, Governo e partidos debatem a sorte de Nino em reunião de desfecho imprevisível Luís Naves ![]() Arquivo DN A sorte do ex-presidente Nino Vieira será discutida hoje em Bissau pelos partidos políticos representados na Assembleia Nacional Popular, pelo Governo de Unidade Nacional e pela Junta Militar. O desfecho é imprevisível. Na Junta Militar, a maioria dos comandantes afirma que Nino deve ser julgado. O Governo defende que seja permitida a saída proporcionada pelo asilo político. Os partidos estão divididos. Alguns que se pronunciaram inicialmente pelo julgamento parecem ter mudado de posição, mas não em público. Neste caso, são argumentos de peso a ameaça de sanções internacionais e a ausência de ajudas para a recuperação do país e a realização de eleições. Entre os partidos democráticos, Fadul ainda não convenceu completamente o Movimento Bâ-Fatá e a União para a Mudança. Quanto ao PAIGC, deverá ser contra o julgamento, mas, em público, haverá declarações menos favoráveis ao ex-presidente. No fundo, ninguém pode dizer claramente que o país corre sérios risco de isolamento e de instabilidade no caso de um julgamento de Nino. Qualquer político que o faça será muito criticado pelo homem da rua. Francisco Fadul é a excepção. Na semana passada, a Junta Militar passou a responsabilidade do caso para os políticos, mas a reunião de Bissalanca foi confusa e apenas o primeiro-ministro defendeu a saída de Nino, "apoiado pelo Presidente indigitado, que ainda não tomara posse". Ninguém sabe ao certo o que irá acontecer no caso da libertação do ex-Presidente, mas é obvio que alguns sectores da Junta não se conformarão com facilidade. A boa imagem de Portugal, recuperada nas semanas recentes, poderá esfumar-se em poucas horas. A Rádio Voz da Junta Militar, de longe a mais ouvida em Bissau, fez longos editoriais inflamados sobre a reunião de hoje. Se a decisão for contrária ao julgamento, muitas cabeças quentes terão dificuldade em esfriar. Se os políticos optarem pela ida a tribunal, todos os olhares se voltarão para a embaixada portuguesa, que não pode entregar Nino Vierira. O impasse poderá durar semanas ou até meses. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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