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Correio da Manhã

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Em: 22-MAI-1999

'Nino' disposto a ser julgado


As novas autoridades da Guiné-Bissau estão mesmo determinadas a julgar o ex-presidente "Nino" Vieira (na foto), nem que seja à revelia

Refugiado na embaixada portuguesa em Bissau, o deposto presidente "Nino" Vieira, que as forças políticas guineenses querem levar a julgamento por traição, afirmou estar disposto a enfrentar um tribunal "imparcial e independente". A informação partiu ontem do presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Fernando Gomes, que visitou "Nino" na embaixada.

"Não é correcto condenarem-me sem ser ouvido e, a ser julgado, devo ser julgado em vida e não já cadáver" - afirmou, citado por Gomes, o deposto presidente, que diz necessitar de tratamento médico e quer autorização para sair do país, dando garantias de que depois regressa. A decisão de levar o ex-presidente a julgamento foi tomada quinta-feira por uma assembleia formada por responsáveis do principais órgãos de soberania, partidos políticos e representantes da sociedade civil guineense, reunida em Bissau para decidir o que fazer com "Nino", acusado de traição à pátria por ter solicitado a intervenção de tropas estrangeiras na guerra civil sem a devida autorização da Assembleia Nacional.

As novas autoridades guineenses pretendem ainda julgar o deposto presidente pelas suas responsabilidades no tráfico de armas para os rebeldes independentistas de Casamansa, no vizinho Senegal. "Nino" encontra-se, recorde-se, refugiado na embaixada portuguesa em Bissau desde 6 de Maio, dia em que foi derrubado por um levantamento armado levado a cabo pela Junta Militar liderada por Ansumane Mané.

A decisão de julgar o ex-presidente poderá ser um "espinho" nas relações entre Lisboa e as novas autoridades de Bissau, uma vez que as autoridades portuguesas aceitaram conceder asilo político ao deposto governante. "Não pedimos a Portugal que o entregue, mas também não podemos deixar de o julgar, atendendo aos interesses nacionais", afirmou, no final da reunião, o líder do Movi-mento de Resistência da Guiné-Bissau/Movimento Bafatá, Hélder Vaz.

Devido a este obstáculo, adiantou aquele responsável, "Nino" poderá acabar por ser julgado à revelia, o que pode acontecer mesmo se o ex-presidente continuar refugiado na embaixada portuguesa. No caso de qualquer tentativa de saí-da do país, Portugal se-rá, no entanto, confrontado com o facto de o ex-dirigente ter de responder judicialmente, acrescentou Hélder Vaz.

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