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Em: 22-MAI-1999 Jogo sujo com corpos dos franceses mortos Cilada no método clássico da mafia, com Nino a pedir encontro com líder rebelde de Casamansa ![]() DN-Eduardo Tomé "Segundo Bacar Sanhá e com o intuito de retomar os contactos (com os independentistas de Casamansa), o major Abdu saiu de Bissau com quatro caixotes de munições de bazucas RPG-7, oito caixas de munições de metralhadoras Aka, que lhe foram dadas pelo coronel João Monteiro (drector-geral de Segurança) e segundo lhes disseram, com autorização do Presidente da República (Nino Vieira), para remeter aos independentistas para que estes lhes indicassem "o local onde haviam sido enterrados os restos mortais dos franceses" - alegadamente quatro turistas franceses tinham sido mortos por combatentes de Casamansa. Esta passagem do relatório da comissão de inquérito dá uma pálida ideia de como a propósito do tráfico de armas, os agentes do Estado guineense se cruzavam e misturavam rotineiramente com os intermediários de armamento. Aquele material bélico, segundo um declarante, foi entregue a um chefe de companhia do MFCD, sigla do movimento independentista. Os guerrilheiros de Casamansa ter-se-ão recusado no entanto a entregar os documentos e a mostrar a localização dos restos mortais dos franceses, pelo que o comissário regional da polícia de Cacheu (implicado nesta dita missão) ameaçou prender um elemento de ligação com os guerrilheiros. Esse comissário de polícia, segundo um declarante, terá levado para Bissau "restos mortais indefinidos", tendo o seu grupo recebido cerca de quatro milhões de francos CFA para além de outras quantias para os elementos do grupo do comissário. Estes episódios configuram uma missão ordenada por Nino e que segundo o relatório da comissão parlamentar de inquérito foi desencadeada "sem conhecimento das estruturas militares e da segurança (guineenses)" pelo que o Presidente da República "teria actuado sem conhecimento da hierarquia, tendo quebrado a cadeia de comando". Ministro da Defesa em funções na ocasião (Zeca Martins), ministro do Interior (Amaro Correia) e chefe do Estado-Maior (Ansumane Mané) não foram informados desta "operação" de Nino que envolveu como em dois braços distintos, por um lado um tal tenente-coronel António Afonso Té e por poutro lado o próprio director-geral de Segurança, a "secreta" da Guiné, coronel João Monteiro, de resto dado pela comissão parlamentar como suspeito por tráfico de armas em vários casos. O aparecimento da figura de Nino nesta entrega de armas aos guerrilheiros de Casamansa, a pretexto de uma troca com os restos mortais de turistas franceses, é tanto mais estranha quanto o mesmo Nino é citado como querendo encontrar-se secretamente e em território da Guiné-Bissau com um alto chefe inpendentistas, um tal Salifo Sadjó, comandante-geral do MDFC. Segundo o relatório, Nino terá feito comunicar a sua disposição pessoal em ajudar o movimento de Casamansa pelo que sugeriu um encontro em Varela "para onde o Presidente se deslocaria, alegadamente para repousar". A comissão parlamentar acabou por considerar que de facto Nino "pretendia estabelecer um contacto com o comandante-geral do MFDC", o principal receptor das armas traficadas. O comandante do MDFC queixou-se ao emissário de Nino "das autoridades guineenses por estas prenderem e posteriormente entregarem independentistas às autoridades senegalesas" tendo Afonso Té declarado desconhecer tais factos "o que iria transmitir ao Presidente da República". Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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