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Em: 22-MAI-1999 Portugal sabia de tudo Carlos Albino ![]() O caso do tráfico de armas esteve sem dúvida na base do problema guineense que se resolveu com a deposição de Nino Vieira. Esse tráfico atingiu um expressão difícil de ocultar, pois de há muito estava a colocar sobre o fio da navalha as relações entre Bissau e Dacar. O problema acabou no entanto por ficar ampliado associando-se ou integrando-se numa prática de corrupção generalizada de que todos diziam estar afastados. A chancelaria portuguesa estava seguramente bem informada da situação guineense. Digamos que até ocultou algumas culpas no cartório. Além disso, aquela em certa altura tão falada "jovem democracia guineense" também deixou muito a desejar, e logo à nascença, pois, no próprio processo eleitoral, uma comissão de verificação fechou os olhos a verdadeiros escândalos, na pressa de querer uma "democracia" a funcionar a todo o custo. A legitimidade que Nino possa ter invocado é pois uma saia muito larga ou pelo menos com um diâmetro que Portugal não pode dizer que desconhece. Sendo assim, é difícil desligar os acontecimentos de 8 de Junho que puseram termo na carreira de Nino, do julgamento dos implicados no tráfico de armas, cuja rede afinal minava o frágil Estado guineense de alto a baixo. Apenas assim se compreende a exigência da Junta quanto a ser ouvida na nomeação do procurador-geral da República, de resto com o que se estipulou no Acordo de Abuja. Não era uma questão bizantina, pois do procurador guineense ficava a depender também o esclarecimento de um processo que abalou profundamente o poder político e a sociedade guineense. Nino preferiu fazer uma nomeação como se estivesse ainda nos antigos tempos do partido único: sem ouvir a Junta, sem ouvir o Parlamento e sem ouvir o próprio Governo de unidade nacional que já tinha tomado posse. Raramente um presumível corrupto de alto gabarito conseguiu tão facilmente o estatuto de asilado político. Carlos Albino é o correspondente diplomático do DN Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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