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Expresso

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Em: 22-MAI-1999

Portugal tem avião pronto para trazer Nino Vieira

Novo 1º ministro da Guiné vive na miséria
15 presos políticos pedem asilo a Lisboa
Adriano Moreira rejeita asilo político para criminosos

O GOVERNO português tem um Falcon da Força Aérea pronto a partir para a Guiné-Bissau e trazer Nino Vieira para Lisboa logo que o ex-Presidente guineense tenha autorização para abandonar o país, hipótese que se apresenta, no entanto, cada vez mais remota.

Entretanto, está totalmente «fora de causa», segundo adiantou fonte governamental, a possibilidade de Veiga Simão poder passar por Bissau, para trazer Nino Vieira, no regresso da sua visita a Cabo Verde este fim-de-semana.

Com a evolução da situação na Guiné, é dado como cada vez mais provável que o Presidente deposto continue por tempo indeterminado na embaixada de Portugal. Situação, aliás, que não seria inédita. Adriano Moreira, em declarações ao EXPRESSO, recorda o exemplo do cardeal Midezenski, que permaneceu na embaixada dos Estados Unidos na Hungria durante 10 anos.

Referindo-se ao asilo político pedido pelo Presidente e por outros altos responsáveis guineenses, Adriano Moreira considera que os crimes contra a Humanidade devem sobrepor-se aos pedidos de asilo.

A cabra de Nino

Refugiado na embaixada de Portugal, Nino Vieira fez esta semana um estranho pedido ao seu anfitrião: uma cabra branca, a ser presa no pequeno jardim da residência. De acordo com uma velha crença comum a muitas etnias guineenses, a cabra branca é uma espécie de escudo protector contra o mal - seja a doença, o infortúnio ou a guerra. Acossado simultaneamente por estes três males, o ex-Presidente foi aconselhado a recorrer à cabra - o que, aliás, já fizera em Outubro, quando um bicho com as mesmas características passou a pastar em frente do palácio. O pedido, contudo, não foi atendido, tendo sido invocadas razões de segurança.

1º ministro na miséria

Quanto ao novo primeiro-ministro, não recebeu um único vencimento desde que tomou posse em Fevereiro e há um ano que não aufere qualquer salário. Com o início da guerra, em 7 de Junho do ano passado, deixou de ter trabalho no escritório de advogados onde estava empregado, não podendo sequer recorrer às suas poupanças dado o encerramento dos bancos. O que lhe tem valido - como explicou ao EXPRESSO - são os escassos proventos resultantes de um bar de que é proprietário em Bissorã, uma cidadezinha a Norte de Bissau.

Fadul vive numa central eléctrica junto ao aeroporto. Dorme num colchão estendido no cimento e, à falta de água corrente, toma banho com um púcaro de plástico. O telefone satélite foi-lhe oferecido por uma organização das Nações Unidas. As duas viaturas que lhe foram atribuídas só pegavam de empurrão e agora desloca-se num jipe do Ministério da Saúde.

15 pedidos de asilo

Entretanto, quinze antigos colaboradores do Presidente, entre os quais alguns ministros do Governo deposto e destacados oficiais das Forças Armadas, pediram, esta semana, asilo político a Portugal.

Segundo uma fonte diplomática em Lisboa, os ex-colaboradores de Nino encontram-se nas prisões da capital guineense. Do grupo fazem parte Humberto Gomes, ex-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Afonso Té, vice-CEMGFA e João Monteiro, ex-director-geral de Segurança do Estado.

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Outros endereços referentes a este tema:

Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Geocities

Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista

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