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![]() Em: 22-MAI-1999 Um património incerto SÃO variados os rumores que apontam para a existência de bens vultuosos que Nino Vieira terá arrecadado ao longo dos anos em que esteve à frente da Guiné-Bissau. Apenas um deles foi, entretanto, confirmado. Em Portugal, com toda a certeza, somente se lhe conhece uma casa em Vila Nova de Gaia, e, mesmo a este respeito, há opiniões divergentes sobre o modo de aquisição. Há quem diga - o próprio Nino e Valentim Loureiro - que a moradia lhe foi oferecida pelo empresário Laurindo Costa. Mas, da parte deste empresário, a versão é outra. Segundo um porta-voz da Soares da Costa, foi há 17 ou 18 anos que Laurindo Costa vendeu ao ex-Presidente a moradia onde vivia em Vila Nova de Gaia. O valor da transacção - cinco mil contos - foi bastante inferior ao que a vivenda, com cave, rés-do-chão e primeiro andar, além de um pequeno jardim, valia já na altura. A casa não foi vendida directamente ao ex-Presidente mas, sim, aos seus três filhos que, na altura, estudavam no Porto. Sempre que se deslocava ao Porto, Nino Vieira instalava-se ali e não em qualquer hotel. Situada na rua Nun'Álvares Pereira, a vivenda não é considerada de grande luxo nem ultrapassa os 300 metros quadrados. «Já várias vezes afirmei, e reafirmo, que nunca senti quaisquer sinais de riqueza por parte do Presidente Nino ou da sua família. Pelo contrário!», explica Valentim Loureiro. O major revela que a actual mulher de Nino Vieira, Isabel Romano Vieira, é filha de um comerciante com prestígio em Bissau: «Ela, sim, teria algumas propriedades e uma boa posição ao nível do país.» O major diz existirem diferenças profundas em relação ao modo como africanos e europeus encaram realidades iguais. «Na democracia europeia», afirma, «ninguém aceita que um ministro tenha negócios. Em África, é vulgar. A mulher de Nino tinha negócios e ele considerava isso natural». A pobreza da Guiné-Bissau não sugere que qualquer governante possa juntar um fortuna tão grande como a que é atribuída a Nino em panfletos anónimos, onde se fala de 600 milhões de contos guardados em bancos no estrangeiro. Mas, não deixa de ser curiosa uma frase de Cardoso e Cunha, homem com grandes investimentos na Guiné e natural de uma família com mais de um centena de anos de presença em África: «Não tenho dúvidas de que todos os políticos dos países instáveis se seguram economicamente.» Mas, quanto a Nino, o empresário alega não ter a menor informação sobre o seu património. Valentim assinala que a defesa de Nino Vieira não significa que não tenha cometido «ou deixado de cometer» actos condenáveis, mas acrescenta: «Desafio as actuais autoridades a dizerem que eu fiz qualquer negócio com a Guiné.» J.M Copyright 1998 Sojornal. Todos os direitos reservados.
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