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Em: 07-JUN-1999 Bissau celebra golpe entre a fé e esperança O primeiro aniversário do levantamento militar de 7 de Junho é comemorado pela população guineense com um misto de fé e esperança no futuro do país, após a deposição do presidente "Nino" Vieira. Há um ano atrás, o brigadeiro Ansumane Mané, juntamente com poucas dezenas de soldados fiéis, inciava um levantamento militar que iria mergulhar o país em 11 meses de guerra civil que culminaram em Maio último na deposição forçada do presidente Bernardo "Nino" Vieira, após 19 anos no poder. Para trás ficam sucessivas tréguas que foram quebradas por ambas as partes e um país que mergulhou numa grave crise económica e social. Será dura e lenta a tarefa que caberá ao novo Executivo liderado por Francisco Fadul. Mas o golpe militar não surpreendeu os observadores da política do país. A situação política e social tinha-se agudizado nos meses anteriores ao golpe com trabalhadores a reivindicarem o pagamento de salários em atraso e manifestações a sucederem-se a ritmo alarmante. O descontentamento atingiria igualmente os antigos combatentes da luta pela independência. Na sequência de uma manifestação, em Abril de 1997, violentamente reprimida pelas autoridades, o presidente guineense demitiu o Executivo liderado por Manuel Saturnino da Costa, substituindo-o por Carlos Correia, um "fiel" de "Nino" Vieira. Mas já era tarde para qualquer mudança. Nos bastidores da política, o ex-primeiro-ministro tenta derrubar o presidente, um afastamento que deveria ter-se concretizado no Congresso do PAIGC, mas que foi consecutivamente adiado por "Nino" Vieira, até o Chefe de Estado conseguir calar os opositores e ser novamente eleito, em Maio de 1998. Já na altura, "Nino" Vieira estava sozinho. Não só era contestado no interior do partido, como a própria oposição guineense começava a denunciar casos de corrupção do regime, culminando no caso de tráfico de armas para os independentistas de Casamansa (Senegal). Na sequência desta denúncia, Ansumane Mané foi acusado de responsabilidade indirecta e afastado da chefia de Estado-Maior das Forças Armadas. Dois dias depois surgia o levantamento militar que rapidamente teve a adesão da população. Durante os 11 meses de guerra, "Nino" Vieira manteve-se no poder à custa das tropas enviadas pelo Senegal e Guiné Conacri. Na sequência dos acordos de Abuja - culminar de uma série de iniciativas diplomáticas falhadas e tréguas quebradas, assinado em Novembro - as tropas estrangeiras abandonaram o país. A queda de "Nino" era apenas questão de tempo, vindo a acontecer em Maio último e, desde então, o ex-presidente está refugiado na embaixada de Portugal em Bissau, apesar de o novo poder manter a determinação em julgá-lo por traição à pátria. © 1998 Correio da Manhã. Todos os direitos reservados.
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