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Em: 08-JUN-1999

Nino Vieira chega hoje a Lisboa

Presidente interino garante que o ex-dirigente guineense regressará a Bissau para ser julgado


Arquivo DN ASILO.
Portugal está disponível para receber o presidente deposto

O presidente deposto da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, chega hoje a Lisboa, depois de ter sido autorizado pelo seu Governo a deixar a capital guineense, mas regressará para ser julgado, segundo garantiu o Presidente interino, Malam Bacai Sinhá.

Nino saiu no domingo à noite de Bissau, com destino à Gâmbia, acompanhado pelo embaixador português na capital guineense, António Vieira. Segundo o MNE português, a "demora" na chegada ficou a dever-se ao facto de o Presidente gambiano, Yaya Jammeh, ter manifestado o desejo de receber Nino durante o dia de hoje.

Vieira foi deposto a 7 de Maio passado, culminando 11 meses de uma insurreição armada liderada pelo brigadeiro Ansumane Mané, e desde 9 de Maio que se encontrava refugiado na Embaixada portuguesa em Bissau. Portugal concedeu-lhe asilo político, mas as autoridades guineenses pretendem julgá-lo pelo papel que lhe é atribuído - o de ter conhecimento e nada ter feito para impedir - no tráfico de armas para os separatistas da Casamança.

A autorização agora dada para a sua saída deveu-se a razões humanitárias, uma vez que o estado de saúde do presidente deposto exigiria um tratamento no estrangeiro. A razão oficial invocada levou o presidente da Associação Guineense de Solidariedade Social, Fernando Ká, a comentar que Nino "deveria ser tratado nos hospitais que construiu".

Ontem, nas comemorações oficiais do primeiro aniversário da insurreição militar, o Presidente interino garantiu que Nino regressará para ser julgado, "bem como os seus cúmplices". Nino, disse Sanhá, estava "temporariamente" a residir em Banjul, mas que regressará "assim que a Guiné-Bissau organizar o respectivo processo judicial".

"Se Nino não for julgado, o levantamento de 7 de Junho não faz sentido e a Guiné-Bissau continuará a viver na impunidade", disse ainda Malam Bacai Sanhá, no meio da euforia dos presentes. Sanhá apelou ainda ao Governo liderado por Francisco Fadul para que dê prioridade "absoluta" a duas questões "essenciais" para o desenvolvimento do país - a consolidação da paz e a reconciliação entre os guineenses - e a empenhar-se na organização das eleições gerais previstas para 28 de Novembro, designadamente a concretização do recenseamento eleitoral.

Sanhá aproveitou as comemorações para anunciar a libertação em breve de 307 presos políticos, militares e civis, enquanto, numa decisão tomada pelo Conselho de Ministros, o feriado de 14 de Novembro, data em que Nino Vieira derrubou em 1980 o então presidente Luís Cabral, deixa de existir, passando a ser substituído pelo de 7 de Junho.

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