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Em: 08-JUN-1999 'Nino' afinal vai para França O presidente deposto da Guiné-Bissau, Bernardo "Nino" Vieira, chega hoje a Lisboa, onde será materializada a concessão de asilo político. Ontem à tarde ainda não estava definido a hora a que "Nino" chegaria à capital portuguesa. Isto porque não havia certeza se o avião militar português que transportará o antigo presidente rumaria à Gâmbia à noite ou hoje de manhã. Por conhecer está também o local onde "Nino" Vieira ficará alojado. De acordo com o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Horácio César, também não estavam estabelecidas medidas de segurança para a sua chegada a Portugal. A demora na chegada a Portugal do presidente guineense deposto, prende-se com o facto do chefe de Estado da Gâmbia, Yaya Jammeh, ter pedido para se encontrar ontem com "Nino", já que no domingo à noite - altura em que este chegou a Banjul - estava ausente do país. O primeiro-ministro, António Guterres, elogiou de imediato a atitude de abertura e de humanismo demonstrada pelas autoridades guineenses, no sentido de permitir o asilo político de "Nino" Vieira. Também o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Luís Amado, sublinhou a vontade das novas autoridades em virar a página na História do país. Mas o presidente interino da Guiné-Bissau já pediu ao povo que tenha confiança no novo poder, garantindo que "Nino" regressará ao país para ser julgado, "bem como os seus cúmplices". Malam Bacai Sanhá discursava durante as comemorações do primeiro aniversário do levantamento militar que levou, 11 meses depois, à queda de "Nino" Vieira. O feriado nacional de 14 de Novembro, data do derrube do regime de Luís Cabral e que levou "Nino" ao poder, foi, aliás, transferido para 7 de Junho. O presidente deposto regressará "assim que a Guiné-Bissau organizar o respectivo processo judicial". "Se 'Nino' não for julgado, o levantamento de 7 de Junho não faz sentido e a Guiné-Bissau continuará a viver na impunidade", disse Bacai Sanhá perante milhares de pessoas de todo o país, numa euforia comparada à entrada das tropas do PAIGC em Bissau, após a retirada dos últimos soldados portugueses, em 1974. Na sua intervenção, Bacai Sanhá apelou igualmente ao Governo de Unidade Nacional (GUN), liderado por Francisco Fadul, para dar prioridade "absoluta" a duas questões essenciais para o desenvolvimento do país - consolidação da paz e reconciliação entre os guineenses. © 1998 Correio da Manhã. Todos os direitos reservados.
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