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Correio da Manhã

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Em: 09-JUN-1999

'Nino' sem destino

"Nino" Vieira vai sair da Gâmbia?

Em que país ficará asilado o presidente deposto da Guiné-Bissau? Pouco se sabe quanto ao seu futuro. As contradições são muitas e, ontem ao fim da tarde, a única certeza era que o Governo português se mantinha em contacto com as autoridades gambinas para definir em que condições este abandonaria Bajul, onde está desde domingo.

Sabia-se também que "Nino" queria sair daquele país e que a sua vinda para Lisboa era uma forte possibilidade. Até porque Portugal já lhe concedeu asilo político em Maio. Falta apenas materializá-lo. "Se 'Nino' Vieira estiver disponível, Portugal acolhe-o", garantiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama.

O CM soube que o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Luís Amado, falou duas vezes com o chefe da diplomacia da Gâmbia e que o embaixador português em Banjul, António Dias, se multiplicou em contactos. As informações sobre o destino do antigo presidente guineense são contraditórias. Senão veja-se. Segunda-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Horácio César, dizia que "Nino" deveria chegar ainda ontem a Lisboa.

Já o primeiro-ministro do governo de unidade nacional da Guiné-Bissau, Francisco Fadul, disse ontem que, no acordo estabelecido com a Gâmbia para a saída de "Nino", não foi consignado o seu asilo político. "O que está escrito no acordo é uma autorização temporária de residência no estrangeiro, para que ele possa submeter-se ao tratamento médico de que necessita", disse o chefe de Estado guineense à Agência Lusa. Mas há mais. Outras notícias dão conta de que o presidente guineense deposto se encontra "retido" em Banjul e "desconhece quando poderá partir para Lisboa".

A fonte é uma familiar de "Nino" Vieira segundo a qual, este está "muito chateado" com a situação. Desmentiu ainda que tenha pedido asilo político na Gâmbia, contrariando assim o que foi anunciado na noite de segunda-feira pela Agência France Press, citando um comunicado da Presidência da República da Gâmbia. Manuel Macedo, também próximo de "Nino", afirma que este se encontra "retido contra a sua vontade".

Mas a contra-informação não se fica por aqui. Uma fonte política, contacada pela Lusa na Guiné-Bissau, referiu que o acordo de saída do pesidente deposto prevê unicamente o seu estabelecimento na Gâmbia, admirando-se com a expectativa do seu asilo em Portugal.

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