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Correio da Manhã

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Em: 12-JUN-1999

'Nino' Vieira admite regressar à Guiné-Bissau


'Nino' Vieira à porta da sua casa em Vila Nova de Gaia, acompanhado por Manuel Macedo
(Foto: Francisco F. Neves/Lusa/CM)

Nota do Webmaster:
O facto de a fotografia acima se encontrar diferente da original, bem como de outras desta edição de hoje, dia 12 de Junho de 1999, deve-se ao facto de o Webmaster desta Página entender não dever efectuar «publicidade» a pessoas que nada têm a ver com o Conflito da Guiné-Bissau.


'Nino' Vieira já está em Portugal. O ex-presidente da Guiné-Bissau foi ontem recebido na casa que possui em Vila Nova de Gaia, onde deverá permanecer durante alguns dias, deslocando-se depois para o estrangeiro para se submeter a tratamentos médicos. Quanto a um possível regresso à Guiné-Bissau, disse já que isso poderá acontecer, desde que lhe sejam dadas garantias de segurança.

João Bernardo 'Nino' Vieira, acompanhado pelo embaixador de Portugal em Bissau, António Dias, chegou da Gâmbia num avião Falcon da Força Aérea Portuguesa, que aterrou cerca da 1.30 da manhã na base área de Monte Real, seguindo depois de carro para Vila Nova de Gaia, numa operação organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português. O ex-presidente guineense pediu asilo político a Portugal na sequência dos acontecimentos de 7 de Maio em Bissau, que culminaram com a sua deposição e o seu refúgio na embaixada portuguesa na capital guineense, tendo as autoridades de Lisboa correspondido de imediato ao pedido.

Em declarações aos jornalistas à porta de casa, 'Nino' Vieira admitiu já que poderá regressar ao seu país, caso as novas autoridades lhe dêem garantias de segurança. "Sou guineense, porque não?", questionou-se, garantindo depois que vai respeitar o teor da carta que assinou para sair da Guiné-Bissau, que prevê a possibilidade do seu regresso para ser julgado. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, durante a sua permanência em Portugal, 'Nino' Vieira não está autorizado a exercer actividade política, sendo de prever que se dedique fudamentalmente à vida familiar.

O ex-chefe de Estado guineese goza, no entanto, de inteira liberdade de se deslocar a qualquer outro país, designadamente para receber tratamento médico especializado. Com o asilo de 'Nino' Vieira em Vila Nova de Gaia o Governo português espera contribuir "para fazer a Guiné-Bissau regressar completamente à normalidade política dedicando-se às imperiosas tarefas do desenvolvimento e do bem-estar social". Uma opinião que já longe de reunir consenso.

'Erro gravíssimo'

A Resistência da Guiné-Bissau/Movimento Bafatá considera um "erro gravíssimo" a saída do presidente guineense. Domingos Fernandes Gomes, líder do maior partido da oposição da Guiné-Bissau, advertiu que com a saída de 'Nino' Veira a situação no país pode piorar, pois permite que o presidente deposto possa "manobrar" de forma a prejudicar as novas autoridades guineenses.

Domingos Gomes, que se encontra em Portugal em visita privada, teceu duras críticas ao novo presidente interino da Guiné-Bissau, Malan Bacai Sanhá, a quem acusou de ter "medo" de 'Nino' Vieira e de ter, por isso, "criado uma artimanha" para o deixar sair do país, com destino à Gâmbia. "Malan tem terror de 'Nino' e tem medo que, a ser julgado, ele possa vir a metê-lo ao barulho", acrescentou Domingos Gomes, lembrando o alegado envolvimento de ambos num suposto desvio de verbas do Ministério do Trabalho, destinado à reforma da Função Pública, e cujo processo está na Procuradoria-Geral da República.

Domingos Gomes disse, contudo, compreender as razões que levaram à saída de 'Nino' Vieira do país, embora não as subscreva, garantindo que não criará problemas porque não quer "quebrar a solidariedade" com o novo poder em Bissau. De qualquer forma, manifestou-se satisfeito por terem sido alcançados os objectivos que se propôs em 1986, data da criação do partido. "Cumprimos os objectivos, o ditador saiu". Quem também não está satisfeito com a saída de 'Nino' Vieira da Guiné-Bissau é o ex-presidente do país Luís Cabral.

Em sua opinião, o presidente deposto deveria ser julgado para que os seus crimes não fiquem impunes. "Os crimes co-metidos por 'Nino' Vieira são de tal maneira graves que era bom que se fizesse o julgamento, mesmo que à revelia", defendeu. Apesar disso, o primeiro presidente guineense, deposto no golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980, liberado precisamente por 'Nino' Vieira, disse não acreditar que este volte ao país para ser julgado, isto apesar de ter assinado um documento em que se comprometeu a fazê-lo.

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Outros endereços referentes a este tema:

Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Geocities

Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista

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