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Rede de Informação sobre a Guiné-Bissau: um ano de informação e parceria solidárias 98 Junho 99 ACEP · AD · AiFA-PALOP · TINIGUENA · VIDA Estes obstáculos de caracter político à normalização e às mudanças desejadas por muitos - no sentido da democracia e do desenvolvimento – vão possivelmente continuar a obrigar a Rede de Informação a canalizar grande parte dos seus esforços para uma actividade diária e intensiva de sensibilização e de pressão, com as dificuldades previsíveis, já que, em termos internacionais, a Guiné-Bissau não é um país muito "importante". Apesar disso, tem sido possível manter uma corrente de informação e de contactos e, por seu lado, diversas ONGs europeias têm dinamizado nos seus países um conjunto de tomadas de posição públicas muito importantes (de salientar, por exemplo, as posições assumidas por ONGs francesas, belgas, espanholas, portuguesas, alemãs, suíças, holandesas e as guineenses). Contribuir para o reforço das ONGs guineenses Um ano após o desencadear do conflito político-militar, as ONGs guineenses entraram no período de relançamento do país bastante debilitadas. Muitas sedes foram vandalizadas e não resta nada do seu conteúdo, outras encontram-se em zonas que foram minadas, dificultando a retoma da vida dos bairros onde estão integradas. Por outro lado, alguns quadros de ONGs sentiram ser sua obrigação, para com o país e com a necessidade de eforçar as forças de mudança, assumirem temporariamente funções de responsabilidade fora das ONGs. O país irá ganhar seguramente com essas opções individuais mas, a curto prazo, as competências de algumas ONGs e o próprio movimento não-governamental fica debilitado. Também algumas das fragilidades anteriores surgem agora mais visíveis, sejam as carências técnicas nalgumas áreas, como a elaboração de projectos, domínio das novas tecnologias de informação/comunicação, ou ainda alguns modelos organizacionais que se revelam agora desajustados. Após a Reunião de Lisboa, no trabalho realizado com as ONGs guineenses que nela participaram, concluímos que a Rede de Informação deve orientar uma parte importante os seus esforços num sentido de Informação/Formação, de forma a transferir progressivamente para as ONGs guineenses, no interior do país, um conjunto de saberes facilitadores da sua rápida retoma e adaptação às novas necessidades. Isto não significa que a Rede de Informação vá ser o "centro" promotor e executor das iniciativas neste domínio, mas sim um polo facilitador de iniciativas suas e de outros. Agradecimentos: INTERPARES e DEVELOPPEMENT ET PAIX (Canadá), FIBA (França), ICCO, NOVIB e SOH (Holanda), Fundação Cidade de Lisboa, ICP, Plataforma de ONGD, Portugal Telecom, IPE-Águas de Portugal (Portugal), SWISSAID (Suíça) Contactos R. Castilho, 61 – 2ºDto erca de 10 dias após o início do conflito armado na Guiné-Bissau, iniciou-se espontaneamente um trabalho de rede informal de informação sobre o país, servindo de elo de ligação entre as organizações do interior do país e muitas do exterior que precisavam de informação que lhes permitisse saber como levar à prática uma acção solidária com os seus parceiros guineenses. Esta vertente de informação veio a constituir um elo muito importante na Rede de Solidariedade com o Povo da Guiné-Bissau, logo criada por ONGs portuguesas e guineenses refugiadas em Lisboa, bem como por associações de imigrantes guineenses - local de encontro de pessoas e organizações, umas vocacionadas para a informação, outras para a acção humanitária no terreno, outras para o apoio aos refugiados. As novas tecnologias de informação ao serviço da solidariedade Em poucos dias, portugueses e refugiados guineenses puseram de pé uma informação regular, distribuída por "e-mail", que rapidamente contou com o estímulo e o apoio financeiro de ONGs em diversos países da Europa e do Canadá, bem como da Cooperação Portuguesa e de empresas portuguesas. Este trabalho de informação pressupôs a criação de Antenas no interior do país - a quem foram disponibilizados aparelhos de telefone satélite - bem como noutros países onde estavam a chegar refugiados guineenses e ainda em Bruxelas. Através desta rede estavam criadas as condições de base para a recolha de informação de fontes muito diversificadas – ONGs guineenses e estrangeiras, organizações religiosas, jornalistas, diplomatas, empresários, quadros de várias origens. Iniciada com 13 ONGs como destinatárias, em países europeus, a informação por "e-mail" inclui hoje cerca de 250 endereços em quatro continentes - em particular nos países da UE, da CPLP e da CEDEAO - e incluem ONGs, associações e grupos de imigrantes guineenses – dos EUA ao Vietname – diplomatas, responsáveis políticos, organizações internacionais, jornalistas, centros universitários de investigação. Sabemos que alguns dos destinatários fazem, por sua vez, redestribuição para outras redes - como no Brasil, no Canadá, em Moçambique, ou organizações das Nações Unidas. As reacções, que nos chegam com muita regularidade, congratulam-se com este trabalho de informação por e-mail, que consideram um serviço único, de qualidade apreciável e útil. Uma acção de sensibilização e de pressão positiva Entre a procura da paz e, depois, a criação das condições de relançamento e de mudança no país, a Rede de Informação acabou por se tornar num ponto de referência, o que a "empurrou" para uma actividade de sensibilização, pressão positiva e mesmo de denúncia, junto de muitos que, em diversos países e organizações, poderiam ter um papel na resolução do conflito e poderão ter agora na recuperação do país. Os laços de colaboração estreita e as cumplicidades que se foram desenvolvendo ao longo destes meses com organizações de diversos países, de carácter não governamental ou religiosas e com diferentes pessoas, têm sido um elemento promotor de acção comum ou articulada, para garantia da indispensável eficácia. Esta acção foi, sempre que possível, suportada por documentação recolhida ou produzida para o efeito, com uma preocupação de seriedade mas sem a preocupação de ser acusada de parcialidade – para nós, a solidariedade significa tomar partido! O apoio à participação de organizações diversas na procura da paz e no relançamento Ao longo deste tempo os líderes de algumas ONGs guineenses, temporariamente em Lisboa, puseram o seu empenho na construção desta Rede. Simultaneamente, ela foi um espaço de comunicação com os seus companheiros no interior do país e os parceiros no exterior, procurando em conjunto criar condições para a sua participação na procura da paz e no relançamento das suas actividades. A Rede de Informação tornou-se rapidamente num ponto de contacto, de diálogo e dinamizador de acção conjunta de diversas organizações da sociedade civil guineense e facilitador dos contactos com organizações de outros países – europeus, africanos da sub-região, do Canadá, do Brasil - com o objectivo de contribuir para uma participação activa da sociedade civil na resolução das crises e o reconhecimento interno e internacional desse papel. Têm sido igualmente favorecidos os contactos inter-organizações das sociedade civis que potenciem as dinâmicas de integração regional positivas, virados sobretudo para Cabo Verde e para o Senegal. Nesta perspectiva, a Rede de Informação teve um papel activo na organização das 3 Reuniões Europeias de ONGs em Solidariedade com a Guiné-Bissau, sucessivamente em Bruxelas (Julho 98), Paris (Setembro 98) e Lisboa (Abril 99) e no trabalho de sensibilização realizado por ONGs dos 7 países da CPLP durante a Cimeira desta organização, em Julho de 1998, em Cabo Verde. Nos últimos meses dinamizou / facilitou um processo de reflexão e de debate sobre a participação das ONGs no processo de Relançamento da Guiné-Bissau. Desta dinâmica saiu um documento que, após debate num Encontro, em Bissau, promovido pela Célula de Crise das ONGs na Guiné-Bissau - a CECRON - foi por todos assumido como o Programa das ONGs Guineenses Para o Relançamento da Guiné-Bissau, proposto a seguir às suas parceiras do Norte, na reunião de Lisboa. Foi possível ainda acompanhar a preparação da Mesa Redonda de doadores, promovida pelo Governo de Unidade Nacional e organizada pelo PNUD, em Maio 99, em Genève e facilitar o contacto das ONGs com o Governo, organizações internacionais e os Governos de alguns países, previamente àquela Mesa Redonda. É objectivo muito importante para os próximos meses o aprofundamento deste tipo de trabalho, de forma a contribuir para reforçar e credibilizar a acção das ONGs no relançamento do país. Divulgar e apoiar externamente os esforços de normalização e de mudança O trabalho dos últimos meses foi também orientado no sentido de contribuir para criar externamente um ambiente favorável à normalização da vida do país e das suas relações com os seus parceiros externos. Recorde-se que, em Novembro 98, o Acordo de Paz, em Abuja, era promessa de paz e de normalização. Percebia-se no entanto que essa normalização seria ainda um processo difícil, prolongado e com muitos riscos. Da leitura que fazíamos existiam dois factores determinantes de instabilidade: a incerteza quanto à retirada das tropas estrangeiras e a permanência de Nino Vieira como Presidente. Com a saída daquelas tropas e a renúncia de Nino Vieira, as dificuldades de normalização passaram a ser de outro tipo: o não cumprimento por parte de muitos financiadores das promessas feitas em Genève e a pressão de alguns deles para uma decisão internacional de sanções à Guiné-Bissau, sob o pretexto de se ter consumado um golpe de estado no país. Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Geocities Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista |