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Em: 14-OUT-1999

Destino de Nino decidido no sábado

Francisco Fadul, desiludido com a política no seu país, vai trocar o Poder pela gestão do seu bar


Arquivo DN-José Carlos Carvalho
DESILUDIDO. Fadul optou por não se candidatar à presidência

Francisco Fadul reconheceu, ontem em entrevista à Lusa, ter optado por se "suicidar politicamente a favor do país". Enquanto o primeiro-ministro da Guiné-Bissau justificava a sua não candidatura às presidenciais, o procurador-geral da República portuguesa, Cunha Rodrigues, afirmava que informará sábado o seu homólogo guineense, Amin Saad, sobre a eventualidade de Portugal levantar a Nino Vieira o estatuto de refugiado.

Em encontro com os jornalistas, após ter entregue a Cunha Rodrigues o processo que a Guiné instruiu contra Ninno, Saad afirmou que receberá a resposta do seu homólogo português sábado durante a reunião que têm agendada para Luanda. Na opinião de Saad, o processo entregue a Cunha Rodrigues sobre Nino "contém os fundamentos para que lhe seja retirado o estatuto de refugiado e pede a extradição" do antigo presidente. Saad sublinhou que, no encontro com Cunha Rodrigues, o seu "mestre" lhe deu "excelentes conselhos" nomeadamente sobre a necessidade de "evitar erros" e de "fazer da justiça o alicerce da sociedade democrática".

O procurador guineense disse ir "lutar" para que Nino não seja "julgado à revelia" e garantiu que o processo possui elementos de prova sobre os "crimes" por ele cometidos: "Vamos dar ao Ministério Público português elementos suficientemente fortes." Em Lisboa também - mas em escala para Roma -, Fadul afirmou-se "desiludido" com a política no seu país e garantiu que, após as eleições, vai "arrumar as botas", criar, talvez, uma fundação e retomar o pequeno bar que tem em Bissorã (perto de Bissau).

"Para presidente acho que ainda me faltam dez ou 15 anos. É claro que, numa situação especial, numa conjuntura específica, poderia candidatar-me. Mas entendi que deveria privilegiar o meu estatuto de governante da transição", afirmou Fadul. Assumindo-se como "um intelectual da política", Fadul considerou que, enquanto chefe do Governo de Unidade Nacional (GUN), tem uma responsabilidade especial para não ferir susceptibilidades políticas e ideológicas de qualquer tipo.

"Por isso, decidi, mais uma vez, suicidar-me politicamente a favor da minha terra. Já o tinha feito anos, quando me retirei de Bissau para Bissorã, a partir de 1992, porque estava contra a proliferação de partidos", disse Fadul que, mostrando-se "profundamente desiludido" com o facto, afirmou recear os mesmos erros que se cometeram nas eleições de 1994. Às legislativas de 28 de Novembro concorrem 13 partidos e 12 candidatos às presidenciais.

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