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Em: 23-OUT-1999 Mané só se rende à justiça Presidente da Junta de Bissau reitera que o levantamento militar foi para restaurar a legalidade, coloca-se "sem reservas" à disposição do procurador-geral e desafia Nino Vieira a não temer a lei Carlos AlbinoLusa-Inácio Rosa ![]() PROVA PASSADA. Ontem com Guterres, Almeida Santos, Gama e Amado, segunda-feira com Sampaio, Mané percorre as sete capelinhas do Poder em Lisboa O líder da Junta Militar da Guiné-Bissau passou no primeiro exame a que foi submetido em Lisboa ao, desabridamente, garantir que está à disposição do procurador-geral da República do seu país para o esclarecimento de quaisquer actos seus. "Claro que estou disponível, tanto mais que o golpe militar foi para restabelecer a justiça no país. Por isso quero um quadro de legalidade e não tenho qualquer problema em depor perante a justiça." Respondendo aos jornalistas em mandinga (com tradução pelo MNE guineense João Pereira Baptista), numa conferência de imprensa confinada à liberdade para sete perguntas apenas, o líder militar de Bissau reiterou que "o papel da Junta Militar é manter a estabilidade". Mas, depois de garantir o regresso aos quartéis após as eleições, Ansumane Mané ressalvou que "não está prevista a extinção" da Junta. E como que para sublinhar que apenas se rende perante a legalidade e a justiça, Ansumane Mané acabou por fazer um desafio directo a Nino Vieira. Confrontado com o quadro de uma eventual extradição do ex-presidente asilado em Portugal, Ansumane Mané disparou os argumentos de que "uma das razões fundamentais do levantamento militar foi a restauração da justiça" e que "o assunto (extradição de Nino) diz respeito aos tribunais, que estão nas mãos de civis, e por isso não temos nada a ver com isso", desafiando Nino a colocar-se também sem reserva nas mãos do procurador-geral da Guiné-Bissau. Sobre a mesma questão (futuro de Nino), Jaime Gama confirmou o que o procurador guineense, Amine Saad, dissera na semana passada ao DN, quanto a não ter sido formulado por Bissau e portanto não ter sido recebido em Lisboa qualquer pedido oficial para a extradição do ex-presidente. Para além disso, Gama limitou-se a lembrar que Nino Vieira tem o estatuto de exilado político em Portugal. Mas, questionado pelos jornalistas sobre se Portugal vai enviar tropas para a Guiné-Bissau, Jaime Gama respondeu que "tal não faz qualquer sentido". O ministro, então, dirigiu elogios às forças armadas guineenses e ao próprio Ansumane Mané: "A Guiné-Bissau tem forças armadas próprias que demonstraram um grande heroísmo e até tenho ao meu lado o homem que foi o grande artífice dessa grande vitória militar." Registe-se que Ansumane Mané, acompanhado pelos chefes dos ramos das forças armadas guineenses e pelo MNE Pereira Baptista, manteve no Forte de São Julião reuniões de trabalho com Jaime Gama e com o director-geral da Política de Defesa Nacional, Gonçalves Ribeiro. O líder da Junta Militar reafirmou estar "agradecido" ao Governo e ao povo portugueses por todo o apoio que recebeu durante o conflito político-militar. Bissau com 8 milhões de contos até 2001 O programa de cooperação entre Portugal e a Guiné-Bissau para o triénio 1999-2001 ascende a oito milhões de contos e Jaime Gama disse ontem que discutiu com Ansumane Mané a plicação dessas verbas. Gama lembrou que a cooperação técnico-militar entre os dois países havia terminado em 1998, estendendo-se extraordinariamente até 2000, sublinhando que esta área constitui um eixo prioritário da política externa portuguesa. Segundo o ministro, para este ano estão já disponibilizadas verbas no valor total de três milhões de contos destinados a apoiar não apenas a cooperação técnico-militar mas também a reconstrução e consolidação da democracia na Guiné-Bissau. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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