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Em: 24-NOV-1999 Dinheiro só após as eleições Apenas cinco milhões de dólares, dos 90 milhões prometidos pela comunidade internacional, chegaram à Guiné. Extrema pobreza agrava-se Luís NavesOs doadores vão esperar pelo resultado das eleições. Até que haja resultados e um novo Governo, nunca antes de Fevereiro de 2000, a Guiné-Bissau terá falta de dinheiro de ajuda externa. Depois do triunfo da Junta Militar, a 7 de Maio, as únicas verbas que entraram no país - dos 90 milhões de dólares prometidos pela comunidade internacional - foram cinco milhões que chegaram antes da votação. "Os doadores entregaram dinheiro para as eleições e não para outras coisas", explica o canadiano Yvon Madore, responsável pelo gabinete de coordenação para assuntos humanitários, uma entidade das Nações Unidas, que esteve em missão de emergência durante toda a crise e deverá permanecer até Março. O resultado prático da ausência das ajudas prometidas é a falta de receitas do Governo e a total falta de dinheiro nos diversos ministérios. A desconfiança internacional junta-se à extrema pobreza, que o conflito armado agravou. Sem infra-estruturas, com as estradas em péssimo estado e as comunicações deficientes, a Guiné terá de adiar a maior parte dos projectos de investimento. Excepções, como o relançamento da ponte de João Landim, contam-se pelos dedos. O comércio com os países vizinhos já recomeçou, pelo menos a norte, mas o frequente encerramento das fronteiras, durante a revolta, perturbou a economia. Tudo isto resulta em indicadores que estão entre os piores do mundo. A esperança média de vida, à nascença, é de 45 anos e 90 por cento da população vive com menos de um dólar diário (menos de 190 escudos). Muitas pessoas não receberam salários durante um ano e o sector da saúde, por exemplo, é ainda afectado pela corrupção: as próprias Nações Unidas reconhecem que parte da assistência em medicamentos nunca chega aos hospitais, antes surgindo à venda em farmácias. Na prática, a Guiné-Bissau dependerá ainda por muitos anos da ajuda humanitária. O Governo de Fadul conseguiu que o Fundo Monetário Internacional adiantasse já em Dezembro uma verba de cinco milhões de dólares. Mas o dinheiro acaba por chegar demasiado tarde, porque este país perdeu 17 anos numa ditadura, um ano de guerra civil e meio ano de impasse. No domingo, talvez se inicie um novo ciclo. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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