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Em: 25-NOV-1999

Não há tribalismo em disputa nestas eleições

Kumba Ialá diz que a sua vitória é certa, tal como nas legislativas anteriores, em que Nino Vieira lhe roubou o resultado final

Luís Naves

Kumba Ialá, candidato presidencial, é um homem pequeno e magro, de 46 anos. Está vestido com uma T-shirt suja de poeira e usa na cabeça um bizarro barrete vermelho. Fala com uma voz enrouquecida pelos muitos discursos gritados em comícios pela província. Kumba é também o candidato favorito nas presidenciais de domingo. Ainda antes de ser conhecido o conteúdo do pacto de regime, o líder do Partido da Renovação Social (PSR) disse ao DN que o projecto rejeitado da Magna Carta "comprometia a democracia" e avisou os militares de que, "se pretendem assumir a direcção do país, que o digam claramente".

Mas o popular candidato também deixa uma porta aberta à negociação, ao afirmar que a tropa não pode ser marginalizada e que "há questões internas e financeiras por resolver". A relação entre civis e militares terá de ser baseada na Constituição e "não pode haver uma supraconstituição". Em relação à campanha eleitoral, o candidato rejeitou todas as acusações de tribalismo, um dos argumentos mais utilizados pelos seus adversários. "Essa é uma questão falsa. Não é possível praticar o tribalismo na Guiné-Bissau, porque aqui não existe nenhuma etnia pura", afirma este balanta católico.

A origem étnica é determinada pela etnia da mãe, pelo que um pai e um filho (por exemplo) podem pertencer a grupos diferentes. "Pelo que vimos no terreno, as eleições estão ganhas", disse ainda Kumba Ialá, muito confiante no resultado final das eleições presidenciais e legislativas. Em 1994, o líder do PSR perdeu para João Bernardo Vieira e para o partido no Poder - PAIGC -, que conseguiu maioria absoluta na assembleia.

Na altura, embora forçado a disputar uma segunda volta, Nino Vieira ganhou. Apesar de muitos rumores de fraudes, o resultado foi reconhecido pelo próprio Kumba Ialá, "para evitar perturbações", como explicou ao DN. "Ganhei em 94", reclamou o candidato, "por uma diferença de 33 mil votos".

O barrete vermelho que o tornou popular é usado, entre os balantas, pelos homens circuncisados. Mas o símbolo de maturidade é ironicamente fabricado pelos papéis, a etnia de Nino Vieira. O PAIGC, acusou ainda Kumba Ialá, é que tem usado na campanha o argumento étnico. O seu candidato, o actual presidente Malan Bacai Sanhá, é beafada, muçulmano, e tem reforçado a campanha nas regiões onde predominam os da sua etnia, mais os mandingas e os fulas, grupos numerosos, islamizados. Para Kumba, não há nenhuma dúvida: esta é a mesma táctica usada por Nino em 1994.

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