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Em: 30-NOV-1999 Eleitores guineenses puderam votar ainda ontem RGB diz ter sido partido mais votado em Bissau, relegando o PAIGC para o terceiro lugar ![]() Lusa-Manuel Moura ESCRUTÍNIO. O processo de contagem de votos iniciou-se já, mas sem que houvesse ainda ontem resultados oficiais Os guineenses continuaram a votar durante o dia de ontem, ao mesmo tempo que decorria já a contagem dos votos entregues no domingo e alguns partidos começavam a clamar vitória. A situação de certo modo anómala teve origem no atraso da chegada das urnas no domingo a alguns pontos do território guineense. Assim, encontrava-se ainda ontem a decorrer a votação no círculo eleitoral número 28, em Bissau, em algumas ilhas do arquipélago dos Bijagós, em Tombali (Sul da Guiné) e nas ilhas de Geta e Becixe (Cacheu). Segundo o presidente da Comissão Nacional de Eleições, o número de eleitores que ainda ontem estava a exercer o direito de voto seria cinco por cento do total de inscritos, que é de 525 mil. Higino Cardoso explicou que a situação ficou a dever-se a problemas com o transporte das urnas e restante material de votação por via aérea, problemas que ficaram ultrapassados durante o dia de ontem. Cardoso acrescentou ainda que, até ao momento, não recebera por parte das candidaturas queixas quanto a eventuais irregularidades no acto eleitoral. Funcionários eleitorais prevêem para amanhã ou depois a divulgação dos resultados eleitorais. Mas ontem eram já conhecidos alguns resultados preliminares, nomeadamente em círculos eleitorais de Bissau. Segundo uma fonte do Movimento de Resistência da Guiné-Bissau (RGB), após o apuramento final dos votos no sector autónomo de Bissau, este partido terá saído vencedor ao conseguir eleger 11 deputados. Em segundo lugar, teria ficado o Partido da Renovação Social (PRS), com sete deputados e o PAIGC, o partido no Poder durante mais de duas décadas, não teria ido além dos dois deputados, sendo assim relegado para terceido lugar na preferência dos eleitores. Quanto às eleições presidenciais, o candidato Kumba Ialá, do PRS, mostrou-se confiante numa vitória à primeira volta. Ialá, que em 1995 disputou a segunda volta das presidenciais com João Bernardo Vieira, saindo derrotado, pediu ao eleitorado, ao longo de toda a campanha, que lhe desse a vitória já no domingo. Ao mesmo tempo, foi admitindo um resultado mais fraco do seu PRS nas legislativas, apelando à formação de um governo de unidade nacional. Segundo dados da candidatura de Ialá, nas primeiras 11 mesas de voto escrutinadas em Bissau, o candidato tinha obtido 894 votos, contra 356 para o seu adversário mais directo, Malam Bacai Sanhá, do PAIGC. Sobre os restantes candidatos à presidência, não tinham sido divulgados ainda ontem quaisquer resultados. No domingo, a impaciência dos eleitores face ao atraso na abertrura das assembleias de voto resultou em alguns incidentes dispersos. Mas, ainda assim, os observadores internacionais consideram que as eleições decorreram de forma transparente. "As eleições correram bem, de uma forma geral, com a população a demonstrar um elevado sentido de civismo e de democracia", declarou o delegado da União Europeia em Bissau, Miguel Amado. "Alguns incidentes apenas vieram demonstrar o desejo da juventude de participar no acto eleitoral" e "não afectaram as eleições", que "foram transparentes", salientou. As eleições de domingo seguem-se a um período conturbado da vida política guineense, que começou em Junho do ano passado com um levantamento militar liderado pelo brigadeiro Ansumane Mané e culminou em Maio último com a deposição de Nino Vieira. A Junta Militar, chefiada por Mané, prometeu não interferir no resultado das eleições, mas muitos civis consideram que os militares se mostram relutantes em abandonar o poder que detêm e regressar definitivamente aos quartéis. Embaixador português elogia "maturidade" O embaixador de Portugal em Bissau, António Dias, considera que os guineenses demonstraram uma "maturidade e um sentimento da política notável", com a realização de eleições gerais seis meses depois do termo de um conflito militar e respeitando "o compromisso assumido há cerca de um ano", nos acordos de Abuja. O diplomata, que disse já ter felicitado vários dirigentes políticos guineenses pela forma ordeira como decorreu o processo eleitoral, elogiou ainda o primeiro-ministro cessante, Francisco Fadul, considerando-o "uma peça essencial no processo" que permitiu a realização das presidenciais e legislativas de domingo e ontem na Guiné-Bissau. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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