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Em: 02-DEZ-1999 Lentidão de resultados sobe tensão na Guiné PAIGC parece recuperar nas regiões do interior da derrota estrondosa que sofreu em Bissau Luís Naves em Bissau ![]() Lusa-Manuel Moura JUSTIFICAÇÃO. Porta-voz da Comissão Nacional de Eleições divulga primeiros resultados A lentidão do apuramento de resultados nas eleições da Guiné está a impacientar os partidos e já produziu uma guerra de comunicados que terminou com o clima de tranquilidade. Quando deviam ser anunciados mais números de diferentes zonas, a Comissão Nacional de Eleições optou por adiar para hoje a divulgação de novos valores das nove regiões. A CNE mostrou dados sobre círculos incompletos, nomeadamente Bafatá, revelando tendência de votação equilibrada, bem diferente da de Bissau, onde o PAIGC foi duramente castigado. A votação nas zonas rurais pode, assim, baralhar as contas. A capital continua a ser a única região com dados completos. Em 60 mil votos das legislativas, a Resistência da Guiné-Bissau (RGB) obteve 18,8 mil, os Renovadores Sociais de Kumba Ialá (PRS) conseguiram 17,3 mil e o PAIGC teve apenas 7,7 mil. Outro valor significativo foi o da União para a Mudança (UM), que recebeu 3,7 mil votos. Nas presidenciais, se Bissau fosse a bitola, haveria segunda volta, entre Kumba Ialá e o candidato do PAIGC, Malan Bacai Sanhá, Presidente interino. Numa entrevista conjunta ao DN e à revista Focus, Malan Bacai garantiu ontem que o PAIGC conseguiu maioria relativa na assembleia. "Bissau não é a Guiné", disse o Presidente, justificando por dois efeitos simultâneos as diferenças entre os resultados da capital e as zonas do interior: a guerra da libertação, que se travou em zonas rurais, e o conflito armado do ano passado, que afectou sobretudo Bissau. "Esses factores contribuíram para os resultados desastrosos que tivemos em Bissau." Reconhecendo que o PAIGC tem problemas internos e que sectores do partido ficaram pouco satisfeitos no último congresso, Malan Bacai Sanhá admitiu que poderá mudar de estratégia na segunda volta, desdramatizando a eventualidade de coabitação entre Presidente e Governo de diferentes partidos. "Da minha parte, não haverá problemas. Sou um homem de diálogo", disse. Em relação aos militares, Malan Bacai defendeu que "o Governo terá de começar a resolver o problema dos antigos combatentes" e explicou que a razão do levantamento da Junta foi a "situação precária" da tropa. Na segunda volta, o Presidente interino confia que a oposição não alinhará em bloco com o provável rival, Kumba Ialá, podendo ocorrer "abstenção e liberdade de voto". Confiante nos bastiões no Leste, no Norte e no Sul do país, o candidato do PAIGC (de etnia beafada) não pensa ganhar utilizando o voto muçulmano ou étnico. "Quero ser presidente guineense", afirmou, ironizando com a pequena expressão da sua etnia: "Não chega para ser eleito presidente da câmara." Este discurso confiante do PAIGC alarmou os partidos da oposição, que devem hoje lamentar as suas divisões. Isto coincidiu com o aparecimento de informações alegadamente baseadas nas actas a que os representantes dos partidos tiveram acesso nas assembleias de voto. Estes valores dão a vitória ao PAIGC. O RGB de Hélder Vaz emitiu ontem à tarde um comunicado em que se insurgia contra "resultados fictícios", insinuando a existência de um "plano tenebroso" de manipulação e criticando os atrasos na publicação dos resultados. O que os dados da CNE indicam, apesar de parcelares, é que o PAIGC conseguirá eleger mais deputados do que se admitia, a partir dos valores de Bissau. A CNE, através de Filomeno Pina, reagiu às acusações de atrasos, apelando "à calma e contenção no discurso dos políticos". Enfim, tudo indica que só no sábado se compreenderá o cenário político que sairá destas eleições. Três partidos podem ter vencido (PAIGC, RGB e PRS), mas isso equivale a três incertezas que só podem alimentar a impaciência. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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