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Em: 09-DEZ-1999 Soldados guineenses nas ruas A situação normalizou-se depois de o ministro das Finanças ter prometido aos militares que os salários iam ser pagos ![]() Lusa-Pedro Fernandes ATRASO. Primeiro, aderiram à Junta Militar. Agora, à espera de que lhes paguem, decidiram bloquear as ruas de Bissau Jovens militares guineenses, em número indeterminado, saíram ontem para as ruas de Bissau, reivindicando o pagamento de salários em atraso. A situação viria a normalizar-se por volta do meio-dia local, depois de os manifestantes terem recebido do ministro das Finanças, Abubacar Dahaba, a promessa de que os salários iriam ser pagos. "A situação na cidade de Bissau já normalizou. Já não há barricadas e a circulação está restabelecida", disse ao DN Wendy Cue, relações públicas da representação da ONU em Bissau. Quanto ao número de militares envolvidos no protesto, declarou não ter uma ideia exacta, porque, "como montaram barricadas nas ruas", era difícil saber. "Podiam ser pequenos grupos." Os militares começaram a regressar aos quartéis depois de o ministro das Finanças do Governo cessante, Abubacar Dahaba, ter feito um apelo ao "bom senso" e ter prometido pagar "com prioridade" os salários das forças armadas e polícias. A emissora lançou também o seu apelo para que os manifestantes entregassem todos os carros que tinham utilizado para o protesto. "Tenham paciência, entreguem todos os carros que pertencem ao Estado, entreguem os táxis porque os seus donos estão preocupados e voltem aos quartéis", dizia a rádio da Junta Militar. Pouco antes, oficiais armados tinham começado a circular nas ruas da capital guineense, recolhendo os jovens manifestantes. O protesto iniciou-se por volta das 7 horas locais, com os jovens militares desarmados e em pequenos grupos impedindo a circulação automóvel, primeiro nos acessos à capital e depois quase em todas as artérias da cidade. Segundo a Agência Lusa, os manifestantes são, na sua maioria, jovens que aderiram à Junta Militar quando do levantamento de Junho de 1998 e que recebem um pequeno subsídio, não se encontrando ainda nos quadros das forças armadas. Foi o seu segundo protesto no espaço de um mês. O primeiro teve lugar a 3 de Novembro, na sequência do qual terão recebido um pequeno adiantamento sobre a verba em atraso. Na sua promessa de dar prioridade ao pagamento dos salários, Abubacar Dahaba recordou que os jovens que participaram no levantamento militar necessitam de fazer prova da sua situação para receber o dinheiro a que dizem ter direito. O ministro inseriu ainda esta questão na revisão dos quadros do funcionalismo público guineense, que está em curso, lembrando a existência de funcionários-fantasmas, alguns já falecidos, a quem a os ordenados continuam a ser processados. Os novos salários dos funcionários públicos guineenses iriam começar a ser pagos ontem, com alguns dias de atraso sobre a data prevista devido à polémica em torno desta decisão do primeiro-ministro Francisco Fadul. Os salários da função pública deverão benefiar de aumentos da ordem dos 300 por cento. Por exemplo, o mínimo da nova tabela passa de 14 mil francos CFA (cerca de 4500 escudos) para 42 mil francos CFA. Esta nova tabela, proposta por Fadul e aprovada pelo Parlamento ainda no início de Outubro, conta com a oposição do secretário de Estado do Tesouro, Rui Barros, e foi classificada por Kumba Ialá, o candidato mais votado na primeira volta das eleições presidenciais, como uma medida de carácter eleitoralista. Jornal Diário de Notícias: E-mail: dnot@mail.telepac.pt
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