1. Situação político-militar
Ontem à noite prosseguiam os combates na zona de Bafatá, no leste do
país e movimentações no perímetro de Bissau. Em Bissau foi decretado o recolher obrigatório e cortadas as comunicações telefónicas com o
exterior. A população que entretanto tinha regressado a Bisssau, volta a fugir da cidade, formando grandes vagas de refugiados em direcção ao interior e às ilhas. Ontem foram atingidos dois camiões de refugiados na zona de Nhacra, desconhecendo-se ainda as consequências para os refugiados. O Governo português solicitou a um navio porta-contentores que tinha iniciado a viagem de regresso de Cabo Verde para Lisboa, que acostasse em Banjul e aí aguarde para a eventualidade de ter que ser feita uma nova operação de evacuação do porto de Bissau.
2. Reacções no estrangeiro
Hoje o Presidente Abou Diouf, do Senegal, vai discursar na Assembleia nacional francesa. Estão previstas manifestações organizadas pelos partidos da oposição senegalesa e por associações de imigrantes guineenses. Tambem em Lisboa, e à mesma hora, imigrantes e refugiados guineenses vão manifestar-se em frente à Embaixada de França, contra a intervenção senegalesa.
3. Situação humanitária no norte do país
Continuamos a receber informação preocupante sobre a situação
humanitária no norte do país. Ela pôde ser comprovada localmente por uma missão da União Europeia que aí se deslocou na primeira semana de Outubro. Após visitas aos Centros de Recuperação Nutricional de Bula e de Bigene, a missão pôde fazer uma avaliação da situação, que passou a considerar como sendo de emergência. O único projecto a intervir na faixa norte Susana - S. Domingos - Ingoré -Bigene continua a ser o da ONG VIDA, com apoio técnico da ONG Saúde em Português e em articulação com a Missão Católica de Susana. Os dados recebidos esta semana confirmam sérios problemas nutricionais, sobretudo para as crianças de 0-5 anos. As unidades de saúde não dispõem de aprovisionamento de medicamentos, equipamentos, combustíveis nem funciona a cadeia de frio. Em particular faltam os soros, antipalúdicos injectáveis, vacinas - as crianças nascidas depois do início do conflito não fizeram qualquer vacina.
Nas crianças observadas nos Centros de Saude na zona regista-se uma taxa de sub-nutrição em cerca de 47% das crianças de 0 aos 5 anos.
Pela Rede de Solidariedade com o Povo da Guiné-Bissau
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