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Canal Internet - Diário de Notícias

1 de Novembro de 1998

CEDEAO afirma confiar numa resolução pacífica do conflito

Presença senegalesa é obstáculo ao plano de paz

Os presidentes africanos que participam na XXI Cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) em Abuja, a capital nigeriana, depositam esperanças numa resolução pacífica da crise político-militar na Guiné-Bissau. O Presidente guineense, Nino Vieira, e o líder da Junta Militar revoltosa, brigadeiro Ansumane Mané - que tiveram o primeiro encontro, desde a eclosão do conflito em Junho, na passada quinta-feira, em Banjul - apresentaram um plano de paz à CEDEAO e continuaram ontem o diálogo.

Apesar de ambos os líderes da crise na Guiné-Bissau terem aceite que as hostilidades devem cessar, o ponto em disputa para um eventual acordo de paz continua a ser a insistência de Mané na retirada de "todas" as tropas estrangeiras antes do armistício.

O Presidente senegalês, Abdou Diouf, manifestou aos seus pares na CEDEAO, uma organização de 16 países, o desejo de que se chegue a uma "ampla resolução pacífica" da crise guineense, que tornou ainda mais complexa a situação enfrentada pelo seu Governo com os separatistas de Casamansa, considerados aliados dos revoltosos guineenses.

Diouf disse, entretanto, que a questão de Casamansa deverá ser resolvida antes de a administração senegalesa retirar o seu contingente enviado para apoio do regime em Bissau, o que criaria um "ciclo vicioso" caso entrasse em confronto com a Junta revoltosa.

Segundo fontes diplomáticas e observadores da cimeira da CEDEAO, uma solução a contento das duas posições poderia passar pela substituição das tropas senegalesas por um amplo contingente da força de interposição oeste-africana, a Ecomog.

Os delegados da CEDEAO aprovaram em Abuja a criação de uma nova estrutura permanente vocacionada para a manutenção da paz na região, onde até agora as suas intervenções foram estritamente no plano militar e sendo a Ecomog, uma força regional de intervenção composta quase exclusivamente por nigerianos. A criação desse organismo é vista como uma tentativa séria da CEDEAO para pôr cobro a conflitos civis na região, onde esta década houve problemas na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Bissau.

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