|
Notícias de Jornais Electrónicos, via Internet
ÍNDICE ACTUALIZAÇÕES
em: 06-NOV-1998
População desconfiada adia regresso a Bissau
À espera da manutenção da paz, os guineenses preferem adiar por enquanto o seu regresso a Bissau (telefoto EPA/Lusa/CM)
Quase uma semana depois da assinatura do acordo de paz na Guiné-Bissau, a população guineense continua ainda bastante desconfiada em relação à manutenção da paz e muito poucos são os que se arriscam a regressar à capital. À reserva dos guineenses em relação à paz no seu país não é alheia a desconfiança gerada com as anteriores promessas de cessar-fogo não respeitadas.
O apelo da Junta Militar revoltosa à população para aguardar pela implementação na íntegra do Acordo de Abuja, assinado na madrugada da última segunda-feira, bem como o comportamento algo nervoso dos militares que se encontram na linha da frente deverá estar a pesar também no regresso das populações à capital.
Para muitos, o retorno a Bissau, de onde partiram cerca de 200 mil pessoas, só se efectuará depois da partida das tropas estrangeiras, conforme o que está consignado no acordo. Também a precária situação que se vive na capital, onde a carne e o peixe fresco desapareceram completamente e os outros produtos alimentares de base - como o açúcar, a farinha de trigo, as batatas, cebolas e vegetais - atingiram preços proibitivos, não convida ao regresso da população, que tem de franquear numerosas barreiras militares, quer governamentais quer rebeldes.
Embora no resto do país a situação seja menos tensa, os guineenses debatem-se com a falta de dinheiro, obrigando a que a maioria das famílias se encontre, neste momento, praticamente dependente da ajuda humanitária internacional. No porto de Bissau, ainda se encontram por distribuir cerca de duas centenas de toneladas de ajuda alimentar portuguesa e o navio "Ponta de Sagres", com mais de uma centena de toneladas de bens alimentares e medicamentos a bordo, deverá começar finalmente a descarregar hoje de manhã a sua mercadoria, depois de uma autêntica odisseia em que o cargueiro se envolveu no início da segunda fase dos confrontos.
No entanto, a distribuição da ajuda alimentar portuguesa às populações tem sido condicionada pela Comissão Nacional da Ajuda Humanitária, presidida pelo ministro da Saúde, Brandão Có, segundo o qual alguns dos produtos não se enquadram na dieta alimentar dos guineenses. A situação precária da população deveria ser dos primeiros assuntos debatidos na primeira reunião da Comissão Conjunta do Governo e da Junta Militar, marcada para ontem no edifício da delegação da União Europeia, junto à linha da frente.
© 1998 Correio da Manhã. Todos os direitos reservados.
ÍNDICE ACTUALIZAÇÕES
Contactos E-mail: Geocities: bissau@oocities.com
Outros endereços desta Página:
Guiné-Bissau, o Conflito no «site» FortuneCity
Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista

|