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Correio da Manhã - Internet     em: 20-NOV-1998

Comissão Conjunta fiscaliza o cessar-fogo na Guiné


A tensão tem subido em Bissau, com os exércitos rivais a reforçar posições (telefoto EPA/Lusa/CM)

Num clima ensombrado pelo agravamento da situação em Bissau, onde se teme o regresso da guerra, a Comissão Conjunta Executiva, englobando representantes do Governo e da Junta Militar, reuniu-se ontem na capital para discutir a aplicação do Acordo de Abuja, assinado no passado dia 2, tendo decidido assumir o papel de órgão fiscalizador do cessar-fogo.

Os rumores de que a violação do cessar-fogo estaria iminente adensaram-se esta semana em Bissau. Junto ao Bairro Militar, assistiu-se a um reforço de tropas e grande parte da população civil foi retirada. Notícias divulgadas quarta-feira davam conta que as tropas senegalesas aumentaram os seus efectivos na capital, numa altura em que se juntaram às forças fiéis ao presidente «Nino» Vieira militares guineenses que receberam treino militar na vizinha Guiné-Conacri.

Face à ameaça do regresso à guerra, a comissão, reunida nas instalações da delegação da União Europeia, decidiu assumir o papel de órgão fiscalizador da linha da frente, de modo a que seja evitado qualquer incidente que leve à violação do cessar-fogo. "Houve movimentações na linha da frente que preocuparam bastante o comando da Junta Militar" - afirmou o comandante rebelde Zamora Induta, referindo ainda o lançamento de "very-lights".

Em resposta, o tenente-coronel Malan Camará, das forças governamentais, afirmou que estas não possuem tal tipo de engenhos, argumentando que os mesmos poderiam estar a ser "lançados indevidamente por populares". Induta frisou na ocasião que "os incidentes registados não são suficientemente graves para que se regresse à guerra", no que foi apoiado por Camará, que declarou: "A população que se acalme, porque nós não estamos a pensar em guerra".

Na mesma reunião, a Comissão Conjunta decidiu abrir as estradas Safim/Bissau e Prábis/Bissau à livre circulação de pessoas e bens. Essa circulação ainda será, no entanto, sujeita a controlo, tanto do lado da Junta como das forças governamentais, controlo que só deixará de existir aquando da chegada da força de interposição da ECOMOG (braço armado da Comunidade de Estados da Àfrica Ocidental), ainda sem data prevista.

A delegação governamental apresentou uma proposta para que ambas as partes recuem 150 metros na linha da frente e para que os observadores internacionais sejam enviados o mais brevemente possível a fim de evitar escaramuças, mas a Junta Militar retorquiu que prefere aguardar pela chegada da força de interposição.

A Comissão Conjunta volta a reunir-se hoje, para debater a formação do Governo de unidade nacional, que não foi analisada ontem pelo facto de os participantes terem concentrado o debate nas ameaças ao cessar-fogo.

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