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em: 19-FEV-1999
Retirada de Bissau avança

A segunda fase da retirada dos militares senegaleses de Bissau já começou (telefoto Epa/Lusa/CM)
Setecentos militares do Senegal, parte do contingente militar enviado para a Guiné Bissau para apoiar o presidente «Nino» Vieira, começaram ontem a retirar-se de Bissau, 24 horas após o en-contro em Lomé entre o presidente «Nino» Vieira, e o líder da Junta Militar, Ansumane Mané, no qual ambos anunciaram o seu empenho na paz, que será consolidada com a tomada de posse do Governo de unidade nacional marcada para amanhã.
A retirada, ontem, dos militares senegaleses da capital guineense foi a segunda efectuada em pouco mais de um mês. A 14 de Janeiro, após a chegada a Bissau de um contingente togolês da ECOMOG (braço armado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), 200 soldados senegaleses voltaram à sua pátria.
A retirada progressiva das tropas estrangeiras do terreno insere-se no âmbito dos acordos de Abuja assinados entre as partes em conflito na Guiné-Bissau e é uma condição de que a Junta Militar faz depender a paz.
Num comunicado ontem divulgado em Dacar, o Estado-Maior do Exército do Senegal referiu que a partida dos 700 soldados se processa no âmbito da segunda fase da retirada das tropas senegalesas enviadas para a Guiné Bissau no início da rebelião, em Junho do ano passado.
A maioria dos militares estrangeiros ainda se encontra no país - no total chegaram a estar na Guiné Bissau cerca de três mil homens, 2500 dos quais enviados pelo Senegal e os restantes pela Guiné-Conacri - e só irão sair de Bissau após a instalação definitiva das forças da ECOMOG, que actualmente conta apenas 600 soldados no terreno mas que no final do processo terá 1450.
Recorde-se que 28 de Fevereiro é a data-limite para a saída total de todas as tropas estrangeiras do país. Já para amanhã está prevista a tomada de posse do novo Governo de unidade nacional. A data foi acordada entre «Nino» Vieira e Ansumane Mané durante o encontro realizado na quarta-feira em Lomé sob os auspícios do chefe de Estado togolês, Gnassingbe Eyadema, presidente em exercício da CEDEAO.
Do encontro entre os líderes guineenses ficou a promessa de «não mais utilizarem as armas como meio de resolução do conflito», tendo ainda acordado na necessidade de desmilitarização e acantonamento das tropas a fim de permitir a reorganização e unificação das Forças Armadas.
Determinados a provar que estão empenhados na paz, «Nino« Vieira e Ansumane Mané partilharam o mesmo avião na viagem de regresso à Guiné, um Fokker 28 fornecido pelo presidente Eyadema.
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