| ARAPUCA TECHNICOLOR COM
ISCA OPACA
De tempos em tempos o Brasil produz uma "obra
prima" com certificado de autenticidade paraguaio, é
claro.
Foi assim com O Quatrilho, Terra Estrangeira, O Que é
Isso Companheiro, o constrangedor Orfeu e o primário
Carlota Joaquina. Agora é a vez de TOLERÂNICA, um sub
Walter Hugo Koury dos pampas com trejeitos de Tarantino. A
garotada quarentona de Porto Alegre aprendeu tim tim por
tim tim as lições dos manuais americanos de roteiros.
Tem tudo que é aconselhável para montar a arapuca,
crime, sexo, muito sexo, suspense e um enredo tolo
com disfarce psicológico para atrair os pseudo
intelectuais.E tudo com tempo marcado, no vigésimo minuto
um fato exoplosivo deve ser mostrado, no trigésimo quinto
chega a hora da virada. Faça-me o favor! Hugo Koury fez e
faz muito melhor e dispensa os manuais. TOLERÂNCIA é um
filme apelativo de fraco elenco, trata-se da exumação de
uma história original escrita em 1995 por Carlos Gerbase
que depois de purgar seus males em inúmeros morgues dos
roteiros, inclua-se aí Jorge Furtado cujo limite está
provado: é o curta, e ser submetido a 12 (divulgados)
tratamentos ressuscitou com duas cabeças.
Uma é a de Júlio (Roberto Bomtempo) medíocre editor
de uma revista masculina que se apaixona pela melhor amiga
da filha. A outra é da sua mulher, a advogada Márcia (Maitê
Proença) que se envolve com um de seus clientes. É duro
aturar, mesmo que por pouco tempo, Maitê como advogada.
Mas o filme gaúcho não é tão simples assim, os garotos
quarentões não "chuparam" apenas Hugo Khoury não,
de Tarantino eles capturaram as encruzilhadas do roteiro e
a salada da trilha sonora.
TOLERÂNCIA tem a pretensão de fazer o relatório
definitivo sobre as relações amorosas, estimula o
conflito entre teoria e prática e chega a uma conclusão.
O filme é moralista, maniqueísta e mal intencionado, de
enredo requentado pretende enfiar goela abaixo o modus
vivendi dos nossos pais.Discutir a família e sua
finalidade principal, geradora de neuroses, é um filme
por demais visto e revisto, será que interessa a
alguém com mais de 12 anos e alheio ao mundo? Os
rapazes gaúchos pararam no tempo, a temática envelhecida
talvez mereça concorrida sessão em algum anacrônico
curso de psicologia de nossas combalidas universidades.
Repleto de clichês, TOLERÂNCIA é um frankstein,
tem um pouco de tudo costurado com as linhas frágeis da
apelação:sub produto televisivo, pornô brega, exercício
de aluno, sem talento, de escola de cinema combinados com
a opção por ganhar dinheiro.
Decididamente, o pessoal da Casa de Cinema tem seu
limite: o curta metragem e é bom que TOLERÂNCIA tenha
vida curta e silenciosa por que do contrário Syd Field
poderá aparecer para cobrar a sua parte.
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TOLERÂNCIA
Direção
Carlos Gerbase
Elenco
Maitê Proença, Roberto Bomtempo, Maria
Ribeiro,Nelson Diniz e outros
Ano
2000
Duração
120 minutos
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FILMOGRAFIA
Filmes mudos
1. The Pleasure Garden (1925)
2. The Mountain Eagle (1926)
3. The Lodger (1926)
4. A Story of the London Fog (1926)
5. Downhill (1927)
6. Easy Virtue (1927)
7. The Ring (O Anel, 1927)
8. The Farmer's Wife (A Mulher do Fazendeiro, 1928)
9. Champagne (idem, 1928)
10. The Manxman (O Ilhéu, 1929).
Filmes sonoros
1. Blackmail (Chantagem e Confissão, 1929)
2. Juno and the Paycock (1929)
3. Murder (Assassinato, 1929)
4. The Skin Game (1931)
5. Rich and Strange (1932)
6. Number Seventeen (O Mistério no 17°, 1932)
7. Waltzes from Vienna (1933)
8. The Man who Knew Too Much (O Homem que Sabia
Demais, 1934)
9. The 39 Steps (Os 39 Degraus, 1935)
10. The Secret Agent (O Agente Secreto, 1936)
11. Sabotage (O Marido Era o Culpado, 1936)
12. Young and Innocent (1937)
13. The Lady Vanishes (A Dama Oculta, 1938)
14. Jamaica Inn (A Estalagem Maldita, 1939)
15. Rebecca (Rebeca, a Mulher Inesquecível, 1940)
16. Foreign Correspondent (Correspondente Estrangeiro, 1940)
17. Mr. and Mrs. Smith (Um Casal do Barulho, 1941)
18. Suspicion (Suspeita, 1941 )
19. Saboteur (Sabotador, 1942)
20. Shadow of a Doubt (A Sombra de uma Dúvida, 1943)
21. Lifeboat (Um Barco e Nove Destinos, 1943)
22. Spellbound (Quando Fala o Coração, 1945)
23. Notorious (Interlúdio, 1946)
24. The Paradine Case (Agonia de Amor, 1947)
25. Rope (Festim Diabólico, 1948)
26. Under Capricorn (Sob o Signo de Capricórnio, 1949)
27. Stage Fright (Pavor nos Bastidores, 1950)
28. Strangers on a Train (Pacto Sinistro, 1951 )
29. I Confess (A Tortura do Silêncio, 1952)
30. Dial M for Murder (Disque M para Matar, 1954)
31. Rear Window (Janela Indiscreta, 1954)
32. To Catch a Thief (Ladrão de Casaca, 1955)
33. The Trouble with Harry (O Terceiro Tiro, 1956)
34. The Man Who Knew Too Much (O Homem Que Sabia Demais, 1956)
35. The Wrong Man (O Homem Errado, 1958)
36. Vertigo (Um Corpo que Cai, 1958)
37. North by Northwest (Intriga Internacional, 1959)
38. Psycho (Psicose, 1960)
39. The Birds (Os Pássaros, 1963)
40. Marnie (Marnie, Confissões de Uma Ladra, 1964)
41. Torn Curtain (Cortina Rasgada, 1966)
42. Topaz (Topázio, 1969)
43. Frenzy (Frenesi, 1972)
44. Family Plot (Trama Diabólica, 1976)
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A ATRIZ E A MÚSICA - ALTA AFINIDADE
Como adaptar para a tela uma história cujos melhores momentos chegam através do pesamento do personagem
principal? Para teatro já é complicado...já foi. Leia comentário na seção
destinada ao teatro. Como? Primeiro, um excelente roteirista seria fundamental, a seguir um diretor de estilo conciso
acima de qualquer suspeita. Pois bem, o roteirista surpreende e o diretor acrescenta criatividade e competência
na condução da trama.
John Cusak é o principal coadjuvante masculino, a protagonista é a música pop, produziu e
adaptou o roteiro e Stephen Frears dirigiu magistralmente.
ALTA FIDELIDADE é uma história de homens e seus dissimulados problemas românticos. Como enfrentá-los?
Quanto mais superá-los! Adaptação do best seller ALTA FIDELIDADE- ed. Rocco- de Nicy Hornby
que, com enorme criatividade e repleto de particularidades, fala de assuntos pra lá de comuns, rotineiros,
tolos, chatos que acentuando as neuroses daí provenientes gera reflexão e risos.Muitos risos e alguma
emoção. Na passagem para a tela, é natural, muito se perde mas sob o comando de Frears o interesse
não se dilui. Pelo contrário. A solução encontrada pelo diretor para "fazer ouvir
os pensamentos" de Rob Fleming (no filme o sobrenome é Gordon) e manter o vigor do texto por si só
já recomendam o filme: Rob fala seus pensamentos em voz alta, diretamente para a câmera.Um recurso
velho mas longe de ser considerado gasto. E no livro estas são as melhores partes. No livro a trama se desenrola
em Londres, no filme é transferida para Chicago mas poderia ser São Paulo, Rio, qualquer lugar onde
um adolescente tardio permitesse que a cultura pop interferisse no seu crescimento emocional.
A infelicidade em ALTA FIDELIDADE tem início quando Rob, dono de uma decadente loja de discos, é
desprezado por Laura. Entra em cena a dor de cotovelos inspirando Rob e seus amigos, outros rejeitados pois o que
mais fazem é rejeitar, a fazerem listas de tudo. Rob é um tipo de fracassado que cairia como uma
luva nos filmes de Woody Allen, e o rapaz fala, fala, fala...
Ganha importância no filme a participação dos empregados da loja de Rob, Barry (Jack Black)
e Dick ( Todd Louiso) . Apesar de personagens ultra manjados, roqueiros esteriotipados, são responsáveis
por grandes momentos, principalmente Barry com seus palavrões. Quem tem mais de 30 anos encontrará
inúmeras identificações sem que para tanto necessite algum esforço.
No papel de protagonista, a música pop: Velvet Underground, Bob Dylan, Elvis Costello, Steve Wonder, a banda
escocesa Beta Band e outros acenam com a certeza do bom programa. É infálivel. Naqueles momentos,
e são muitos, que você já viu num outro filme, não se constranja, feche os olhos. Afinal
de contas não é todo dia que se tem mais de cem minutos de boa música.
Um detalhe por demais significativo, e por isso é detalhe, merece a devida atenção;Iben Hjejle,
atriz dinamarquesa que vive o papel de Laura e quando está em cena surpreende com seu talento que ficara
á deriva em "Mifune" de Soren Kragh Jacobsen. Com Laura, momentos obrigatórios de olhos
bem abertos |

ALTA FIDELIDADE
Título Original
High Fidelity
País de Origem
Reino Unido/ EUA
Ano
2000
Duração
113 minutos
Diretor
Stephen Frears
Elenco
John Cusack,
Iben Hjejle,
Todd Louiso,
Jack Black,
Lisa Bonet,
Joan Cusack,
Tim Robbins,
Chris Rehmann
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