BILLY ELIOT: AQUELA VELHA HISTÓRIA
BEM CONTADA
Nas primeiras cenas você desconfia que Billy Elliot
é mais um daqueles filmes que você já viu, detalhes
aqui e ali, lembra O HOMEM DA LINHA em suas rotineiras
tarefas. Um pouco mais adiante você tem a certeza que
você já viu aquele filme. Garoto sensível enfrenta
a oposição de familiares truculentos, é o único a
destinar tempo e carinho à vovó caduca, mas no fim
logrará seu intento. Ufa!
Billy é um garoto que pratica boxe no mesmo ginásio
onde são ministradas aulas de balé, claro que só
para meninas. As luvas que Billy usa foram de seu avô,
uma linhagem deverá ser honrada. Sua mãe morreu e o
garoto mora com o pai, o irmão mais velho e a vovó.
Tem num velho piano seu único interlocutor.
Fascinado pelo balé Billy passa a investir o dinheiro
das aulas de boxe nas aulas de dança clássica.
Informado pelo professor de boxe sobre a ausência do
garoto o pai acaba descobrindo que o filho quer ser
bailarino. Sob forte tensão destrói o piano que
alimentará a lareira na noite de natal. Mas Billy não
está só, conta com o apoio da professora que percebe
seu talento e investe seu tempo ensinando-o às
escondidas.
A estrutura é por demais conhecida, você sabe que o
garoto comerá o pão que o diabo amassou até
saborear a sobremesa dos vencedores. O pai não
medindo esforços para realizar o sonho do garoto que
com certeza contaria com o apoio da mãe caso ela
fosse viva.
O final você também já viu, Billy aplaudido, pai e
irmão orgulhosos.
Não poderia faltar o amigo homossexual. Stephen
Daldry porém conduz a trama com mãos de pianista e
passos de bailarina. Não há excessos, fez uso dos estereótipos
com raro talento e precisão, o jogo de luz e sombra
explícito no próprio ginásio, boxe e balé; o mundo
novo que se anuncia para Billy enquanto seu pai e seu
irmão mergulham nas profundezas da mina de carvão.
Nada pesa. A paisagem desolada da pequena cidade à
beira mar, o vazio das ruas e a solidão individual são
aspectos decisivos que imprimem agilidade a esse drama
corriqueiro.
Falta um ingrediente porém, o sentimentalismo. Impossível
não se emocionar com as cenas do pai com Billy, tanto
no inicio, quando se opõe, quanto no final quando
decide apoiar a decisão do garoto. Resumindo: um
filme com todos ingredientes para agradar a todos
paladares, até mesmo os mais exigentes. Carreira
longa nas sessões da tarde da insossa tv brasileira.
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BILLY ELLIOT
Grã -Bretanha-1999
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Lee Hall
Produção: Greg Brenan , John Finn
Fotografia: Brian Tufano
Montagem: John Wilson
Música: Stephen Warbeck
Elenco: Jamie Bell, Jean Heywood,Jamie Draven,
Julie Walters, Gary Lewis
35mm - cor - 110 min
o
Stephen Daldry
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