Cinema
por Lula Rodrigues

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10/Março/2001

BILLY ELIOT: AQUELA VELHA HISTÓRIA BEM CONTADA

Nas primeiras cenas você desconfia que Billy Elliot é mais um daqueles filmes que você já viu, detalhes aqui e ali, lembra O HOMEM DA LINHA em suas rotineiras tarefas. Um pouco mais adiante você tem a certeza que você já viu aquele filme. Garoto sensível enfrenta a oposição de familiares truculentos, é o único a destinar tempo e carinho à vovó caduca, mas no fim logrará seu intento. Ufa!

Billy é um garoto que pratica boxe no mesmo ginásio onde são ministradas aulas de balé, claro que só para meninas. As luvas que Billy usa foram de seu avô, uma linhagem deverá ser honrada. Sua mãe morreu e o garoto mora com o pai, o irmão mais velho e a vovó. Tem num velho piano seu único interlocutor.

Fascinado pelo balé Billy passa a investir o dinheiro das aulas de boxe nas aulas de dança clássica. Informado pelo professor de boxe sobre a ausência do garoto o pai acaba descobrindo que o filho quer ser bailarino. Sob forte tensão destrói o piano que alimentará a lareira na noite de natal. Mas Billy não está só, conta com o apoio da professora que percebe seu talento e investe seu tempo ensinando-o às escondidas.

A estrutura é por demais conhecida, você sabe que o garoto comerá o pão que o diabo amassou até saborear a sobremesa dos vencedores. O pai não medindo esforços para realizar o sonho do garoto que com certeza contaria com o apoio da mãe caso ela fosse viva.

O final você também já viu, Billy aplaudido, pai e irmão orgulhosos.

Não poderia faltar o amigo homossexual. Stephen Daldry porém conduz a trama com mãos de pianista e passos de bailarina. Não há excessos, fez uso dos estereótipos com raro talento e precisão, o jogo de luz e sombra explícito no próprio ginásio, boxe e balé; o mundo novo que se anuncia para Billy enquanto seu pai e seu irmão mergulham nas profundezas da mina de carvão. Nada pesa. A paisagem desolada da pequena cidade à beira mar, o vazio das ruas e a solidão individual são aspectos decisivos que imprimem agilidade a esse drama corriqueiro.

Falta um ingrediente porém, o sentimentalismo. Impossível não se emocionar com as cenas do pai com Billy, tanto no inicio, quando se opõe, quanto no final quando decide apoiar a decisão do garoto. Resumindo: um filme com todos ingredientes para agradar a todos paladares, até mesmo os mais exigentes. Carreira longa nas sessões da tarde da insossa tv brasileira.

 

BILLY ELLIOT
Grã -Bretanha-1999
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Lee Hall
Produção: Greg Brenan , John Finn
Fotografia: Brian Tufano
Montagem: John Wilson
Música: Stephen Warbeck
Elenco: Jamie Bell, Jean Heywood,Jamie Draven, Julie Walters, Gary Lewis
35mm - cor - 110 min

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Stephen Daldry


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