Música No Planeta Terra


01/Março/2004

Música no Planeta Terra
(publicada originalmente na Pro-Music)

 Já que meu editor não colocou o título da minha coluna, uso o título desse artigo como tal.

Qual é a idéia? A idéia aqui é abordar todos os estilos musicais e comentar os CDs daqueles artistas independentes que tiverem coragem de solicita-lo (basta deixar o CD na Pro-Music – se já não estiver lá – e escrever pra mim).

Aqueles que me conhecem de outros carnavais (apesar de detesta-los) sabe que prefiro um independente mal gravado do que um show de lançamento do disco ao vivo gravado no mesmo local daquele artista famoso e polêmico.

Está cada vez mais difícil furar o “bloqueio” das grandes gravadoras. Digo isso por alguns (muitos) contatos que fiz, mas também por constatar que apesar dos inúmeros talentos (administrativos) que trabalham lá, elas estão cada vez mais burras.

Confundiram recessão com MP3. Custaram a abaixar o preço dos CDs (mesmo assim é preciso garimpagem) e agora relançam tudo aquilo que a gente já tem em DVD, achando que estão sendo espertas e criativas. Todos nós sabemos que elas estão repetindo a mesma fórmula usada quando migraram do LP para o CD. Meu colega colunista JOSÉ ROBERTO (dono de um dos acervos mais incríveis) é que sabe o que passou. Mas como ele, todos nós sofremos um pouco. Quando lançaram o ELECTRIC BAND – do CHICK COREA em CD com faixa extra, achei que era hora de trocar. Não consegui abandonar o velho toca-discos Torenz, de longas batalhas, assim como insisto em manter no estúdio um REVOX A77. Minha mulher pergunta: “Mas teu estúdio não é todo digital? – O que essa coisa faz aqui?” Como ela prefere a coisa no estúdio e não na sala de casa, posso ficar com a coisa onde quiser.

As gravadoras teriam um ótimo lucro se parassem de pensar no Brasil como um mercado único. O empresário da BMG baiana sabe disso, mas o eixo Rio-São Paulo continua tão burro quanto antes.

Existem centenas de excelentes bandas (a cada semana recebo no mínimo dois CDRs dignos de respeito) independentes, que já “bancaram” todo o trabalho de estúdio, capa e até prensagem, faltando apenas que alguma alma caridosa coloque o CD nas lojas e deixe que o povo decida.

A democracia, esse nosso velho ideal não era real nem na Grécia, o que dirá no mercado fonográfico. Uma vez (25 anos atrás) me disseram que o ideal era ter uma menina como vocalista, porque ela “dava” pro empresário e a banda “tava feita”. Parece piada de mau gosto, mas quem já viu TCHAN, BLONDIE SEI LÁ O QUE, e congêneres, acredita que o cara que me falou aquilo sabia do que falava. Calma...não estou chamando as bailarinas do É O TCHAN de piranhas. Estou dizendo que elas são a baixaria da baixaria e que dormir (minha avó sempre dizia que dormir com alguém não era problema, o problema era ficar acordado) ou melhor, trepar com alguém é mero detalhe.

Minha acides está me causando dor no estômago hoje.

Existem em cima da minha mesa no exato momento 28 CDs, entre independentes, “quase independentes” e “normais”. Há muita coisa boa pra ser ouvida e as gravadoras são umas tolas em apostar nos seus enfadonhos relançamentos.

Como diga, sugiro o CD dot.com.blues do não menos (que quem?) afamado JIMMY SMITH. É um CD excelente, onde aliado ao potente som do seu Hammond B3 (tão em voga ultimamente) ele conta com a participação dos cantores ETTA JAMES, DR.JOHN, B.B.KING, TAJ MAHAL e KEB’MOB’ (antes que me xinguem The King canta e toca guitarra).

Na próxima, espero estar um pouco mais calmo pra adentrar um assunto que não tem haver comigo (baterias eletrônicas), mas que não será abordado pelo lado técnico, já que tem colegas aqui que montam e desmontam uma sem abrir os olhos, mas pelo lado sonoro.

Valeu
T+


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Alex e seus instrumentos

Alex Saba é músico, compositor,
arquiteto, fotógrafo, escritor e muitas outras coisas dignas ou não de serem mencionadas aqui...